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AASP: 78,3% dos advogados usam mais IA, mas só 16,7% têm regra formal para isso

Levantamento da AASP com cerca de 300 respostas mostra que 78,3% aumentaram o uso de IA em seis meses e 86,6% temem informações inventadas. Metade não sabe quais dados de clientes pode inserir nas ferramentas.

Advogado trabalha em notebook em escritório
Pesquisa da AASP indica que o uso de IA cresce na advocacia, enquanto a maioria dos escritórios ainda não tem política formal. Foto: Pexels / https://kaboompics.com

Uma pesquisa da Associação dos Advogados de São Paulo (AASP) mostra que 78,3% dos participantes aumentaram o uso de inteligência artificial nos últimos seis meses, mas apenas 16,7% trabalham sob políticas formais e documentadas para isso. Os dados foram divulgados pela reportagem do Metrópoles em 19 de outubro e vêm de cerca de 300 respostas coletadas durante o evento Diálogos: IA e Advocacia.

A expectativa sobre a tecnologia é alta. De acordo com o levantamento, 88,4% deram notas de 8 a 10 ao potencial da IA de transformar a profissão nos próximos cinco anos. A amostra é pequena e vem de um único evento, o que limita a comparação com o conjunto da categoria, mas o resultado indica a direção do uso entre quem já se interessa pelo tema.

O medo do erro convive com a revisão manual

O principal receio é a precisão: 86,6% dizem temer erros e informações inventadas pelas ferramentas. Ao mesmo tempo, 99,3% afirmaram que nunca usaram uma peça jurídica produzida por IA sem passar por revisão profissional. Na prática, o advogado segue como a última barreira antes do protocolo.

Bernardo de Azevedo, pós-doutor em Direito, perito digital e professor de Direito Digital, disse à reportagem que a IA entrega respostas certas e erradas com "a mesma fluência e a mesma segurança". Segundo ele, mesmo sistemas jurídicos especializados podem falhar. Azevedo afirmou que a omissão de um argumento relevante é mais difícil de perceber do que uma informação falsa, e que algumas ferramentas tendem a concordar com o usuário em vez de apontar fragilidades de uma tese.

Para reduzir o risco, ele recomenda exigir que a IA indique os documentos e trechos que sustentam cada afirmação, conferir essas referências e ler pessoalmente as principais peças do processo. Azevedo também defende ensinar o uso crítico da tecnologia a estudantes de Direito, em vez de proibi-la.

Dados de clientes sem regra clara

O ponto mais sensível está no sigilo profissional. Segundo a AASP, 50,4% dos respondentes não sabem ou não têm certeza sobre quais dados podem ser inseridos em ferramentas generativas. A reportagem cita a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) como referência para o risco de exposição de informações de clientes.

Azevedo sugere informar o uso de IA no contrato de honorários, limitar os dados enviados às plataformas e avaliar a desativação do uso do conteúdo para treinamento dos modelos. A presidente da AASP, Paula Lima Hyppolito de Oliveira, afirmou que a advocacia está disposta a dividir tarefas com a IA, mas não a transferir suas responsabilidades.

O que muda na rotina dos escritórios

Com 83,3% dos participantes fora de qualquer política formal, a decisão sobre o que pode ou não ser enviado a uma ferramenta de IA fica, na maioria dos casos, com cada profissional. Escritórios que ainda não definiram regras escritas sobre dados de clientes, revisão obrigatória e informação ao contratante têm agora um indicador concreto de que são a maioria, e também de que a LGPD vale para o que é digitado em um chat de IA.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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