sábado, 10 de outubro de 2026 · Edição diária

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Lula anuncia supercomputador de R$ 1 bilhão no RN; máquina de 7.200 petaflops entra em operação em 2027

Instalado no Parque Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba, o sistema será operado pelo LNCC e faz parte do Plano Brasileiro de IA, que prevê R$ 23 bilhões em investimentos até 2028.

Presidente Lula
O presidente Lula em entrevista coletiva em junho de 2024; o supercomputador foi anunciado em Macaíba (RN) em 20 de agosto de 2026. Foto: Lula Oficial / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Macaíba, na Grande Natal, na quinta-feira (20), para anunciar o maior pacote de infraestrutura de inteligência artificial já lançado pelo governo federal. A peça central é um supercomputador de cerca de R$ 1 bilhão a ser instalado no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX), ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

A máquina terá capacidade aproximada de 7.200 petaflops (7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo) e será operada pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), a mesma instituição que administra o Santos Dumont, hoje o principal supercomputador público do país. A previsão é de início de operação no fim de 2027, com um programa de capacitação de 5 mil brasileiros ao longo de cinco anos.

Um salto de infraestrutura, segundo o governo

Em comunicado, o Planalto afirmou que a medida representa "um salto na infraestrutura tecnológica" capaz de colocar o Brasil entre os países com maior capacidade de processamento de dados do mundo, com benefícios para a economia, a ciência, as empresas e a população. O investimento está previsto no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que reúne R$ 23 bilhões entre 2024 e 2028 para infraestrutura, formação de profissionais e pesquisa.

Por que o Nordeste

A escolha do Rio Grande do Norte também tem uma explicação energética. A região concentra a maior parte da geração eólica e solar do país e, de acordo com análise da BrazilCham, mais de 20% da energia renovável do Nordeste vem sendo desligada por falta de demanda e de capacidade de transmissão. Data centers e supercomputadores são consumidores intensivos e previsíveis de energia, exatamente o tipo de carga que a rede precisa para absorver esse excedente.

O pacote completo

O supercomputador foi anunciado junto com outras três frentes do PBIA:

  • Cooperação tecnológica com a China: R$ 1,276 bilhão em cinco anos, executado pela RNP no Rio de Janeiro com Huawei e iFlytek, para desenvolver modelos de linguagem em português (operação em julho de 2027; 3 mil pessoas capacitadas).
  • Nuvem Brasileira: parceria público-privada com MGI, ABDI, Serpro e BNDES para reduzir a dependência de provedores estrangeiros, a partir da experiência da Nuvem de Governo.
  • Chips RISC-V: estratégia de 10 a 15 anos baseada em arquitetura aberta, em cooperação com o ecossistema de inovação de Barcelona.
  • Centro Nacional de Transparência: implementado pela UFMG, com foco em auditoria, segurança e avaliação de riscos de sistemas de IA.

O que vai pesar agora é a execução do cronograma. O Santos Dumont, do LNCC, levou anos entre o anúncio e a operação plena. O plano do PAX aposta em pouco mais de um ano entre a assinatura e as primeiras cargas de trabalho. Se o prazo for cumprido, o Brasil chegará a 2028 com capacidade pública de computação comparável à de países que hoje lideram a pesquisa em modelos de fundação.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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