sábado, 17 de outubro de 2026 · Edição diária

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Anthropic reduz juniores de 27% para 9% das contratações técnicas e põe equipe para gerir agentes

Estudo interno da Anthropic mostra que a fatia de juniores nas contratações técnicas despencou 18 pontos percentuais e que funcionários passaram a distribuir tarefas entre agentes. A empresa segue contratando, mas os autores avisam que os resultados não valem para todo o mercado.

Desenvolvedor trabalhando em um notebook em escritório de tecnologia
Estudo interno da Anthropic, criadora do Claude, aponta queda da participação de juniores nas contratações técnicas. Foto: Pexels / cottonbro studio

A Anthropic, criadora do Claude, divulgou na sexta-feira (16) um estudo interno segundo o qual a proporção de profissionais juniores nas contratações técnicas da empresa caiu de 27% para 9%. A informação é da Exame, que leu o relatório. A pesquisa analisou registros internos da companhia e foi complementada com 17 entrevistas com funcionários.

Os números descrevem a composição das admissões, não uma onda de demissões. A queda de 18 pontos percentuais mede quanto os iniciantes pesam entre os novos contratados, e a contratação técnica continuou crescendo em termos absolutos. Vendas, finanças e recrutamento cresceram ainda mais rápido, de acordo com o relatório.

Menos iniciantes no quadro técnico

A fatia de juniores no quadro técnico total também encolheu: de 21% para 14% desde o início de 2025. A empresa amplia a equipe ao mesmo tempo em que muda o perfil de quem entra, o que torna a leitura menos óbvia do que o título da reportagem sugere.

Pelo estudo, a rotina de quem usa agentes de IA mudou de natureza. Os funcionários distribuem tarefas entre os agentes, organizam o que cada um entrega e decidem quando intervir. Alguns criaram ferramentas próprias para acompanhar as atividades e evitar a conferência individual de cada resultado.

O relatório acompanhou quem passou a usar agentes e registrou aumento de produção depois da adoção. Os próprios autores, porém, afirmam que essas pessoas não foram escolhidas ao acaso e que o período coincidiu com uma expansão acelerada do negócio. Isso impede atribuir os ganhos apenas à tecnologia.

O que o estudo não prova

A Anthropic desenvolve, vende e usa intensamente a tecnologia que estuda. Por isso, os resultados dificilmente se aplicam a empresas de outros setores, que têm outro ritmo de crescimento e outra relação com a IA. A queda de iniciantes na empresa também não demonstra que essas funções vão desaparecer no mercado em geral.

Segundo a Exame, o texto cita que revisar a produção dos agentes exige separar uma dúvida rotineira de um problema, uma habilidade que tradicionalmente vem com a experiência. O documento, no entanto, não explica como as empresas vão formar profissionais experientes se parte das tarefas de entrada passar a ser automatizada.

Quem sente primeiro a mudança

Para quem está começando na área de tecnologia, o dado da Anthropic é um indício de que as vagas de entrada podem encolher onde agentes já assumem tarefas simples. Para empresas, a questão prática é de formação: se o trabalho de base some, o caminho para chegar a gestor de agentes precisa ser desenhado de outra forma. O estudo aponta o problema, mas deixa a resposta em aberto.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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