O Barclays vai cortar cerca de 5.000 empregos, o equivalente a 5% da força de trabalho do banco britânico, ainda em 2026, como parte de um plano para reduzir custos fixos com ajuda de inteligência artificial. A informação é da Reuters, publicada pela CNN Brasil nesta quinta-feira (22), junto com o balanço do terceiro trimestre.
Segundo a diretora financeira, Anna Cross, cerca de 1.000 cargos já foram eliminados. O restante deve sair até o fim do ano. De acordo com a Reuters, aproximadamente 60% dos cortes vão atingir funções de apoio, como desenvolvedores.
Onde a IA entra na conta
A agência avalia que o anúncio é um dos sinais mais claros até agora de como a IA permite enxugar equipes em áreas de retaguarda. O banco justifica o plano pela necessidade de reduzir custos fixos e melhorar a rentabilidade, com uso de tecnologias como a inteligência artificial.
No trimestre, o Barclays registrou mais 201 milhões de libras em medidas de redução de custos estruturais. Elas fazem parte de um plano de longo prazo que inclui maior uso de tecnologia.
Lucro cresce, mas não agrada
O lucro do terceiro trimestre foi de 2,3 bilhões de libras (3,08 bilhões de dólares). O valor ficou acima do registrado um ano antes, mas abaixo das previsões dos analistas. O fraco desempenho da negociação de renda fixa pesou no resultado.
No banco de investimentos, a receita total foi de 3,1 bilhões de libras, contra previsão de 3,3 bilhões. A Shore Capital afirmou que os números ficaram abaixo do esperado por causa do desempenho decepcionante dessa área.
As ações do Barclays caíram 2,5% no início do pregão, pior resultado entre as instituições financeiras comparáveis. No ano, os papéis acumulam queda de 14%, em linha com os de pares europeus. A Reuters observou que os concorrentes de Wall Street também mostraram a natureza cíclica da receita dos bancos de investimento: as negociações desaceleraram, e só a de ações manteve ritmo forte.
Quem sente o corte primeiro
Os postos eliminados estão em áreas de apoio, e não na linha de frente com clientes. A fonte não detalha quais países serão afetados nem se haverá realocação de funcionários.
Para o setor financeiro, incluindo o brasileiro, o caso mostra o desenho que os bancos têm adotado: manter o lucro por meio do corte de custos fixos quando a receita de mercado oscila. No Barclays, o prazo é curto: os 4.000 cargos restantes devem desaparecer em pouco mais de dois meses.



