A menos de duas semanas do primeiro turno, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), líder isolado na disputa pelo governo de Minas Gerais, intensificou acenos a eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Reportagem do jornal O Globo desta quarta-feira descreve uma estratégia explícita: manter o apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial e, ao mesmo tempo, conquistar mineiros que não repetem no estado a escolha feita para o Palácio do Planalto.
Em passagem por Tupaciguara, no Triângulo Mineiro, Cleitinho abraçou um eleitor que se declarou petista e anunciou voto nele para governador. O episódio foi para as redes do candidato. Segundo o Globo, pesquisas internas da campanha apontam que cerca de um terço dos eleitores de Cleitinho declara voto em Lula para presidente. No horário eleitoral, o senador quase não cita Flávio e aposta em discurso conciliador, embora siga dividindo agenda com nomes do bolsonarismo mineiro, como Domingos Sávio (PL), candidato ao Senado.
A Quaest divulgada na quarta-feira (23), encomendada pela Globo e registrada sob o número MG-03276/2026, ajuda a dimensionar o espaço. Cleitinho aparece com 37% das intenções de voto para o governo, contra 16% de Patrus Ananias (PT), 8% de Alexandre Kalil (PDT), 7% de Mateus Simões (PSD) e 5% de Flávio Roscoe (PL). Na mesma onda, Lula liderava a disputa presidencial em Minas com 35%, à frente de Flávio, com 30%. O levantamento ouviu 1.506 eleitores entre 19 e 22 de setembro, com margem de três pontos percentuais.
O mesmo movimento de voto cruzado aparece em São Paulo, onde a campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos) mapeia o eleitor chamado de "TarLula" nos bastidores. Em Minas, o PL tem candidato próprio ao governo, Roscoe, atrás do senador nas pesquisas, e Flávio já tratou Cleitinho e Roscoe como palanques no estado. Para a campanha mineira, a conta é objetiva: quem já consolidou a direita precisa de votos adicionais para tentar ultrapassar 50% dos válidos e evitar o segundo turno.



