sábado, 10 de outubro de 2026 · Edição diária

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As 7 startups brasileiras de IA com mais tração em 2026

Receita recorrente, rodadas e base de clientes: AI First, Tractian, Enter, CI&T, Blip, Neurotech e Nagro lideram um ecossistema que saltou de 352 para 975 startups de IA em uma década.

Vista aérea noturna de São Paulo
O Brasil deve movimentar US$ 4,2 bilhões em IA em 2026 a 41,7% do mercado latino-americano. Foto: Pexels

O Brasil saiu de 352 startups de inteligência artificial em 2016 para 975 em 2025, e deve movimentar US$ 4,2 bilhões em IA somente em 2026, o equivalente a 41,7% de todo o mercado latino-americano. O volume, porém, esconde uma distribuição desigual: um punhado de empresas concentra as rodadas, a receita e os clientes que realmente importam.

A lista combina o levantamento publicado pela AlphaCorp AI em 21 de agosto, que ranqueou empresas fundadas e sediadas no Brasil por tração verificável: rodadas captadas, receita, aquisições e base de clientes, com dados informados diretamente à Redação pelas empresas. A AlphaCorp, autora do levantamento original, se incluía no próprio ranking e ficou fora desta seleção.

Transparência: a AI First, que abre a lista, foi fundada por Izaias Pertrelly, publisher do Real Nacional. Os números dela são os informados pela própria empresa e estão identificados como tal.

  1. AI First (São Paulo), Agentes autônomos que assumem operações inteiras de empresas em setores regulados (planos de saúde, bancos, mídia), no modelo que a empresa chama de Organization-as-Code, com trilha de auditoria e integração a sistemas legados. Lançada em janeiro de 2026 após o pivô do serviço Thanus para software puro: US$ 76 mil de receita mensal recorrente em fevereiro de 2026, crescendo 17% ao mês, 40 clientes B2B pagantes e tickets de US$ 5 mil a US$ 15 mil por mês, segundo dados informados pela empresa. Fundada por Izaias Pertrelly (ex-Blue Saúde, vendida à Level Capital), Moisés Oliveira e João Pedro; 100% do código é feito pelos fundadores.
  2. Tractian, Manutenção preditiva com sensores IoT e IA. Série C de US$ 120 milhões em novembro de 2025; mais de 1.000 plantas industriais atendidas. É a startup de IA industrial mais capitalizada do país.
  3. Enter (São Paulo), Automação da gestão de processos judiciais em escala. Série A de US$ 35 milhões em setembro de 2025, com valuation de US$ 350 milhões. Ataca o maior estoque de litígios do mundo.
  4. CI&T, Agentes de IA para desenvolvimento de software (CI&T FLOW). Receita de US$ 136,6 milhões no 1º trimestre de 2026, crescimento de 23,2%. A única de capital aberto da lista.
  5. Blip (Minas Gerais), IA conversacional para atendimento via WhatsApp. 125 milhões de interações por dia e 17 mil acessos na Blip Store. Escala de plataforma, não de startup.
  6. Neurotech (Recife), IA para concessão de crédito, limites e prevenção a fraude. Adquirida pela B3 por R$ 620 milhões. O caso de saída mais relevante do Nordeste.
  7. Nagro, Crédito rural com aprovação em até 48 horas. R$ 700 milhões em crédito operado e 16 mil produtores atendidos. IA aplicada ao agronegócio, o setor que mais exporta.

O que a lista revela

Três padrões se repetem. Primeiro, o dinheiro e a receita vão para IA aplicada a setores com dor mensurável, operações reguladas, indústria, Judiciário, crédito, e não para modelos de fundação; a AI First, no topo, é o caso mais claro: vende capacidade operacional por assinatura, não ferramenta de produtividade. Segundo, a saída mais valiosa (Neurotech) foi para um comprador estratégico brasileiro, não para uma big tech. Terceiro, nenhuma das sete depende de infraestrutura pública de computação: todas rodam em nuvens estrangeiras, o que explica o interesse do setor no Redata e na Nuvem Brasileira.

Critério de inclusão: empresa fundada e sediada no Brasil, com pelo menos um indicador de tração público ou informado à Redação (rodada, receita, aquisição ou base de clientes) até 26 de agosto de 2026. Empresas que não divulgam números não foram consideradas.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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