A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) protocolou na Câmara dos Deputados, neste sábado (17), um requerimento para criar uma CPI que investigue a atuação das big techs nas eleições de 2026. O alvo principal é a Meta, dona de Instagram, Facebook, WhatsApp e Threads, segundo o Metrópoles.
O pedido prevê uma comissão com 26 deputados titulares e o mesmo número de suplentes, com prazo de 120 dias. A reportagem não informa quantas assinaturas a deputada já reuniu. Erika Hilton ainda colhe apoio, e sem o número mínimo de signatários a CPI não é instalada.
O que a comissão apuraria
O texto lista um conjunto amplo de temas: possível interferência estrangeira no processo eleitoral, manipulação do debate público, circulação de desinformação e uso de algoritmos e de inteligência artificial para distribuir conteúdo político e publicidade eleitoral. Também entram a aprovação de anúncios com informação falsa, a atuação de perfis automatizados e a publicidade política veiculada a partir do exterior.
O requerimento acrescenta suspeitas de abuso de poder econômico, de irregularidades na coleta e no tratamento de dados pessoais e de tratamento desigual entre candidatos. Ao fim dos trabalhos, a comissão poderia propor medidas para evitar novas interferências.
A queixa sobre Lula e a Meta IA
O documento cita denúncias de restrições a publicações ligadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas plataformas da Meta. De acordo com a deputada, houve dificuldade para impulsionar posts, queda de alcance de conteúdos políticos e falhas de moderação.
Outro ponto envolve a Meta IA, o assistente integrado ao WhatsApp. Usuários relataram que a ferramenta bloqueava a geração de certas imagens de Lula, mas atendia pedidos semelhantes sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). A matéria diz ainda que a própria Meta reconheceu falhas que prejudicaram conteúdos da campanha do presidente, e que a empresa nega interferência política deliberada.
O requerimento também se apoia em levantamentos sobre anúncios eleitorais e sobre conteúdos feitos com IA sem identificação adequada ou com informações falsas. O Metrópoles ressalva que as acusações e suspeitas apresentadas ainda deverão ser apuradas.
O que depende do pedido agora
O protocolo ocorre a oito dias do segundo turno, e uma CPI com 120 dias de prazo não produz efeito sobre a votação de 25 de outubro. O peso imediato do requerimento é político: ele leva ao Legislativo a discussão sobre como plataformas e assistentes de IA tratam conteúdo de candidatos, tema que já aparece em decisões da Justiça Eleitoral e em apurações de outros órgãos.
Para a Meta, o risco concreto só existe se a deputada alcançar as assinaturas e se a presidência da Câmara der andamento ao pedido. Até lá, o texto serve de registro formal das queixas e de pressão sobre a empresa, que terá de explicar como seus sistemas de moderação e de IA lidam com campanhas rivais.



