Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), propôs em 19 de outubro, no programa Pânico, substituir servidores que se aposentam por sistemas de inteligência artificial, em vez de realizar novos concursos. A informação está na coluna de Matheus Leitão, no Metrópoles, publicada nesta quinta-feira (22/10).
Segundo a coluna, Daniella não disse quantos cargos seriam extintos, quais carreiras seriam afetadas nem como os serviços públicos continuariam funcionando. Ela também disse a empresários que o governo da Argentina serviria de inspiração.
O modelo argentino que a campanha cita
De acordo com o Metrópoles, na segunda-feira (19/10) o presidente argentino, Javier Milei, anunciou um plano para cortar mais 20 mil cargos públicos, somados a mais de 77 mil eliminados desde dezembro de 2023. Quem aceita o programa tem o posto extinto e fica proibido de voltar ao setor público por oito anos. O sindicato dos servidores argentinos chama a iniciativa de demissão extorsiva.
A referência não é nova na campanha. Em junho, depois de visitar Milei, Flávio escreveu: "Se na Argentina teve motosserra, no Brasil terá tesouraço." Ele também adotou um broche de tesoura como símbolo. Na quarta-feira (21/10), o Correio Braziliense informou que ele já teria mais de 200 decretos prontos, incluindo um revogaço de atos do governo Lula e limites à fiscalização ambiental em propriedades privadas. Parte das medidas depende do Congresso.
Sobre o funcionalismo, Flávio não respondeu. Segundo a coluna, ele foi o único entre seis candidatos que não retornou a pergunta do jornal Extra. Ele prometeu seguir com a reforma administrativa, sem dizer como.
O que a Constituição permite por decreto
A coluna lembra que a Constituição autoriza o presidente a extinguir por decreto apenas cargos que estejam vagos. Em 2019, Jair Bolsonaro editou decreto que acabou com cargos vagos e com os que vagassem no futuro. Cargos ocupados, ou a criação de regras novas para a carreira, exigem passar pelo Congresso.
É nesse ponto que entra a composição das Casas eleitas. O Metrópoles aponta que o PL elegeu 121 deputados e deve chegar a 28 senadores, a maior bancada partidária no início de uma legislatura desde 1988. A direita teria ao menos 50 das 81 cadeiras do Senado. A Casa aprova ministros do STF, o procurador-geral da República, o Banco Central, agências reguladoras, o Cade e embaixadores, e julga o impeachment de ministros do Supremo, que exige 54 votos.
Do parasita ao obsoleto
A coluna compara o discurso atual ao de 2020, quando o então ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o servidor público "virou um parasita". Segundo o Metrópoles, Guedes foi condenado em primeira instância a pagar R$ 50 mil por essa fala. Daniella integrou a equipe dele e, de acordo com o texto, desempenha agora com Flávio o papel que Guedes teve com Jair Bolsonaro.
Na leitura do colunista, o servidor deixou de ser tratado como parasita em 2020 e passou a ser tratado como obsoleto em 2026, substituível por software. Trata-se de uma análise do autor, não de uma declaração da campanha.
Quem sente a mudança primeiro
A proposta, como descrita até agora, atinge candidatos a concursos e quem depende de serviços públicos. Sem número de vagas, lista de carreiras ou prazo, não há como medir a economia pretendida nem o risco de interrupção de atendimento. O Metrópoles não informa se a campanha detalhará o plano antes do segundo turno.



