Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (26) mostra que 47% dos brasileiros avaliam o trabalho dos ministros do STF como ruim ou péssimo. O índice subiu sete pontos em relação a maio (40%) e é o mais alto da série histórica iniciada em 2019. A avaliação positiva ficou em 18%, empatando com o piso de dezembro de 2019; 31% consideram o desempenho regular e 4% não opinaram.
O levantamento, contratado por Folha e Globo, ouviu 2.002 eleitores nos dias 22 e 23, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Está registrado no TSE sob o número BR-00304/2026. Entre eleitores de Lula, 32% consideram o trabalho da corte ótimo ou bom, ante 6% entre os de Flávio Bolsonaro. Na rejeição, o padrão se inverte: 69% dos eleitores de Flávio classificam o STF como ruim ou péssimo, contra 24% dos de Lula.
O desgaste acompanha as revelações sobre elos de ministros com o caso do Banco Master. O Estadão lembra trocas de mensagens entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro; a Folha registra ainda episódios envolvendo Dias Toffoli, Kássio Nunes Marques e André Mendonça. Os magistrados negam ilegalidades. Segundo o Datafolha, 77% dos eleitores dizem conhecer as suspeitas e 68% acreditam que há ministros envolvidos.
O presidente do STF, Edson Fachin, defende um código de ética para magistrados de tribunais superiores. A proposta é aprovada por 45% dos entrevistados e rejeitada por 33%; 17% não sabem. O apoio sobe a 53% entre eleitores de Lula e a 66% entre quem ganha mais de cinco salários mínimos. Na mesma rodada, 37% avaliam o Congresso como ruim ou péssimo e 18% como ótimo ou bom, patamar próximo ao de maio.
Para 33%, a atuação dos ministros mais prejudica do que beneficia a candidatura de Flávio Bolsonaro; 23% dizem o mesmo sobre Lula. Condutas consideradas inaceitáveis incluem julgar processo de cliente de parente advogado (88%), aceitar evento pago por empresa com ação no tribunal (85%) e decidir de modo a beneficiar ou prejudicar presidenciáveis (82%). Sem o código de ética aprovado e com a crise do Master aberta, a rejeição ao STF chega ao pico da série.



