Os entornos de Flávio Bolsonaro (PL) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saíram do debate da TV Bandeirantes, realizado no domingo, 18 de outubro, com avaliações opostas sobre quem se saiu melhor, segundo reportagem da CNN Brasil. Os dois lados concordam em um ponto: a noite teve muito ataque e pouco espaço para propostas.
A fala sobre cariocas vira munição
Aliados de Flávio querem explorar a expressão "malandro carioca", dita por Lula ao se referir ao adversário. A avaliação, de acordo com a CNN Brasil, é que a frase ofendeu um eleitorado grande, capaz de ser decisivo na reta final da disputa.
O próprio Flávio tratou do assunto durante o debate e disse que se solidariza com os cariocas. Ele nasceu em Resende (RJ), mas construiu a carreira política na capital fluminense, o que dá peso ao tema para a campanha dele.
Os aliados do senador também dizem que ele melhorou ao longo da noite. Segundo esse grupo, Flávio apareceu por mais tempo na tela, em parte por ter adotado a tática de ficar atrás de Lula enquanto o petista falava, o que mostrava suas reações. Eles afirmam ainda que o senador falou com mais clareza e demonstrou mais vitalidade que o presidente.
Flávio abriu o debate cumprimentando os telespectadores e o encerrou pedindo voto e reforçando o número de urna. Aliados dele listam esses gestos entre os pontos fracos de Lula na comparação.
O que o lado de Lula cobra de Flávio
A campanha de Lula queria que o presidente adotasse um tom propositivo e avalia que esse objetivo foi atingido. O entorno do petista reclama, porém, que Flávio evitou responder a duas perguntas: sobre o voto dele contra a ampliação da licença-maternidade para servidoras no Rio de Janeiro e sobre o fato de ter advogado um policial suspeito de matar Ana Clara, menina de cinco anos.
Aliados de Lula também afirmam que o senador levou frases prontas e ensaiadas para gerar cortes nas redes sociais e que "passeou" enquanto o presidente falava, para desqualificar o conteúdo do que ele dizia. Comparam a estratégia à de Pablo Marçal na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Marçal hoje integra a campanha de Flávio. Depois do debate, o grupo do presidente passou a chamar o adversário de "desrespeitoso" e "despreparado".
Pouco espaço para proposta e para o indeciso
Há uma leitura compartilhada pelos dois lados, de acordo com a CNN Brasil: o debate foi muito concentrado em ataques, com pouco espaço para propostas e poucos acenos aos eleitores indecisos. Esse público é justamente o que as duas campanhas disputam na reta final.
Na prática, o material que sai do confronto deve circular menos como programa de governo e mais como recorte de redes. De um lado, a frase sobre os cariocas e o argumento de que Flávio mostrou mais vigor. Do outro, as perguntas sem resposta sobre licença-maternidade e sobre o caso Ana Clara, além da acusação de que o adversário foi ao estúdio atrás de cortes.



