Mais de 85% dos desenvolvedores de jogos do Japão já usam ferramentas de IA generativa no trabalho, segundo uma prévia de pesquisa da Computer Entertainment Supplier's Association (CESA) apresentada na Tokyo Game Show 2026. A informação foi publicada pelo Olhar Digital neste sábado (17).
Os dados fazem parte do Relatório da Indústria de Videogames 2026, cuja versão completa deve sair em dezembro. A amostra tem cerca de 1.349 respostas válidas de profissionais de empresas japonesas, entre elas Capcom, Sega, Level-5 e Konami.
Os números da CESA
De acordo com a prévia, 85,8% dos respondentes afirmam usar IA generativa em suas atividades de desenvolvimento. Desse total, 63% a utilizam diariamente e 22,8% fazem uso ocasional.
Os participantes apontaram três ganhos: mais produtividade, menos tempo para produzir um jogo e custos de produção menores. A prévia ainda não detalha para quais tarefas a tecnologia é usada.
Para isso, o Olhar Digital recorre à pesquisa anterior da entidade. Em 2025, 32% das empresas consultadas também usavam IA para ajudar a construir seus próprios motores gráficos. Os usos mais comuns eram criar imagens e elementos visuais, gerar textos e narrativas e auxiliar na programação.
Por que a comparação com 2025 não vale
Na pesquisa de 2025, a CESA registrou adoção em 51% de 54 empresas japonesas. À primeira vista, o salto para 85,8% parece indicar crescimento direto, mas os dois levantamentos usaram amostras e públicos diferentes. Em 2025 foram consultadas empresas; em 2026, profissionais individuais. O Olhar Digital avisa que a variação ao longo do tempo não pode ser calculada com esses números.
Por isso, o dado de 2026 diz algo sobre o presente: a esmagadora maioria dos profissionais ouvidos já incorporou a ferramenta à rotina, e quase dois terços a usam todos os dias. Não diz quanto isso cresceu em um ano.
Supervisão humana e propriedade intelectual
Sobre práticas de segurança, a medida mais citada pelos respondentes foi a revisão, correção e supervisão humana do material gerado por IA. Também aparecem a aprovação prévia de ferramentas específicas e a restrição ao uso direto de resultados que não passaram por revisão profissional.
Tsutomu Masuda, diretor executivo da CESA, disse que os resultados mostram adoção ampla e consistente da IA nos ambientes de desenvolvimento. Segundo ele, é preciso equilibrar o avanço tecnológico com a proteção da propriedade intelectual e a manutenção de processos criativos centrados nas pessoas.
Para estúdios fora do Japão, inclusive os brasileiros, o dado serve como referência de mercado: em um dos maiores polos da indústria de jogos, o uso diário de IA generativa já é a rotina da maioria dos profissionais ouvidos. A versão completa do relatório, em dezembro, deve mostrar para quais etapas da produção a tecnologia está sendo aplicada.



