O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, avalia liberar o julgamento sobre o relatório com mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes apenas após o segundo turno das eleições. Segundo aliados ouvidos pela Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (25), Dino disse a interlocutores e colegas de corte que não faria sentido retomar a discussão nas vésperas do pleito, sob risco de a crise do tribunal interferir na definição da disputa.
Dino pediu vista na sessão de 15 de setembro e tem até dezembro para devolver o caso ao plenário, no prazo de 90 dias. A vista cobriu a proposta de Gilmar Mendes de reunir a análise do caso Moraes com a acusação deste contra André Mendonça por condução irregular dos processos do Banco Master e do INSS. O grupo próximo a Dino deseja que a sessão ocorra a partir de novembro, com a eleição presidencial já decidida.
O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou a interlocutores que vai aguardar a devolução do processo por Dino antes de pautar de novo. Ele chegou a marcar sessões separadas sobre Moraes e Mendonça e cancelou a segunda após a vista. Aliados tentam convencer Fachin a pautar os dois temas nos mesmos dias para equilibrar o desgaste. Mendonça, por sua vez, disse a aliados que gostaria de ver a situação de Moraes definida o quanto antes e que o calendário eleitoral não deveria travar a análise.
A leitura convergente na corte e na campanha é que manter o foco na crise do Supremo prejudica o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e beneficia o senador Flávio Bolsonaro (PL), pela associação que parte do eleitorado faz entre o governo e Moraes. Nos dias anteriores à sessão de 15 de setembro, Dino aconselhou Fachin a não marcar o julgamento naquela data e sugeriu audiência fechada, sem sucesso. Até a devolução da vista, o mérito sobre investigar Moraes permanece suspenso.



