O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, iniciou uma nova rodada de conversas individuais com ministros da Corte para ouvir avaliações sobre a sessão da última terça-feira (15), marcada por divergências e tensão em torno do caso Banco Master. Segundo o jornal O Globo, ele falou com colegas na segunda-feira e, nesta terça (22), tinha encontros previstos com outros dois integrantes do tribunal.
Nas conversas, Fachin tem perguntado como os colegas avaliaram a condução dos trabalhos e reunido percepções num momento de divisão interna pelos desdobramentos das mensagens de Daniel Vorcaro que citam Alexandre de Moraes. Interlocutores relatam que o presidente também afirma não pretender voltar a cancelar sessões de julgamento, depois de a Presidência ter suspendido plenárias no auge da crise.
Na semana anterior ao julgamento, Fachin cancelou sessões plenárias em meio ao agravamento dos embates. A suspensão evitou que os ministros se encontrassem publicamente no plenário antes da análise do caso envolvendo Moraes. Agora, a sinalização muda de tom: manter o calendário e buscar alinhamento nos bastidores, em vez de novas interrupções oficiais.
Na sessão do dia 15, o plenário discutiu os desdobramentos das mensagens encontradas no celular de Vorcaro. O encontro terminou sem definição após pedido de vista de Flávio Dino e foi atravessado por questionamentos à forma como Fachin encaminhou os processos do Master e os casos de Moraes e André Mendonça. O presidente negou ter avocado processos.
O colegiado nem chegou a decidir se os casos de Moraes e Mendonça seriam analisados juntos. Antes disso, a vista de Dino interrompeu o julgamento, e o mérito das suspeitas envolvendo Moraes ficou para depois. Em matérias anteriores do mesmo jornal, Fachin já havia recebido Cristiano Zanin e Luiz Fux no gabinete e retirado de pauta o julgamento sobre a atuação de Mendonça enquanto a questão de ordem pendente não fosse resolvida.
A rodada desta semana reforça a tentativa de estabilizar a Corte sem novo espetáculo público. Fachin ganha tempo para ouvir alas opostas, mas segue pressionado a apresentar um caminho claro para o Master antes que o conflito continue a contaminar o calendário eleitoral e a imagem do Supremo.



