Uma investigação da Polícia Federal aponta que a assessora Maria de Fátima Bezerra Castro, do gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), negociou em 2023 emendas parlamentares com o miliciano Robson Calixto, conhecido como Peixe. Calixto foi condenado neste ano por organização criminosa no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. As informações saíram no Estadão nesta terça-feira (22) e foram confirmadas pela CNN Brasil.
Segundo a apuração, uma das entidades investigadas recebeu R$ 199 mil de emenda destinada por Flávio ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop). A PF também olha cerca de R$ 400 mil enviados ao município de Barra do Piraí (RJ). No total, o valor ligado a uma organização alvo chegaria a cerca de R$ 599 mil. A investigação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, no STF, apura se emendas a entidades ligadas aos irmãos Brazão, também condenados pela morte de Marielle, foram desviadas.
Mensagens apreendidas mostram Calixto pedindo à assessora, em novembro de 2023, que o senador "agraciasse" o Ifop para não interromper o projeto. Ela respondeu pedindo que ele reforçasse o pedido com Flávio. No celular do miliciano, o contato dela aparecia como "Fafá Flávio Bolsonaro". Investigadores descrevem a assessora como interlocutora direta de Calixto no gabinete. Ela também o teria convidado a um evento com o senador para cobrar pessoalmente a liberação dos recursos.
Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou que a emenda foi destinada "dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte". Disse que a entidade apresentou notas fiscais, devolveu valores não usados e que a responsabilidade pela execução é do beneficiário, não do parlamentar. Eventuais irregularidades, segundo ele, cabem aos órgãos de controle.



