O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (24) que a autoridade está preocupada com ofertas de crédito consideradas agressivas ou predatórias. Segundo ele, muita gente decide o empréstimo olhando só se a parcela cabe no orçamento, sem medir o custo total da dívida nem a taxa de juros cobrada.
Galípolo falou a jornalistas na apresentação do Relatório de Política Monetária. Disse que as medidas em estudo miram estabilidade financeira e independem do momento do ciclo econômico. Em outras palavras: mesmo com a Selic em queda, o BC quer frear produtos caros e mal desenhados que empurram o cliente para o superendividamento.
O chefe do BC citou o cartão de crédito como exemplo de design problemático. Entre cerca de 100 milhões de brasileiros com dívida nessa modalidade, aproximadamente metade enfrenta taxas próximas de 15% ao mês. A inadimplência do cartão chega a 65%, número que, na avaliação de Galípolo, mostra falha estrutural e não só um efeito passageiro da renda.
O relatório aponta desaceleração do crédito livre, endividamento das famílias em patamar historicamente alto e novos recordes de comprometimento de renda. O diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti, projetou ainda freio adicional nas concessões em 2027, por causa dos efeitos defasados da política monetária restritiva. Galípolo não apontou um produto específico a ser banido, mas falou em maior transparência, tempo para o cliente comparar linhas e inspiração em experiências internacionais de proteção ao tomador.



