O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmou nesta quinta-feira (24) que foi intimado a prestar depoimento à Polícia Federal no inquérito sobre o Banco Master. Em entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária do terceiro trimestre, disse que a oitiva deve ocorrer no início de outubro, sem precisar a data. "Recebi [a intimação] e acho que deve ser no começo de outubro, mas não lembro qual é a data", afirmou a jornalistas.
Galípolo disse estar à disposição do próprio BC, do Senado e da PF para esclarecimentos e que o objetivo é relatar novamente como avançou a investigação envolvendo o Master. "Sim, vou dar meu depoimento. Como disse várias vezes, estou sempre à disposição para todas as instituições", declarou. A PF já havia intimado Galípolo e o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto como testemunhas no inquérito, segundo CBN, Estadão e Folha em setembro.
Na mesma coletiva, o presidente do BC comentou a operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta contra crimes financeiros. Segundo ele, o avanço das apurações torna esses esquemas mais visíveis à população e pode criar a impressão de que o crime cresce, quando na prática a fiscalização fica mais intensa. Comparou o esforço a uma corrida antidoping: quem tenta burlar as regras encontra novos caminhos, e cabe ao BC fechá-los com base em experiência internacional.
"Infelizmente, é uma corrida contínua. Esperamos que os casos caiam porque temos menos, mas seria falso dizer que existe um ponto de chegada que vai conseguir fazer, em qualquer sociedade do mundo, que o crime seja zero", afirmou. O depoimento de outubro entra no momento em que o caso Master segue no centro da crise política e judicial, com o BC sob pressão para explicar a supervisão do banco de Daniel Vorcaro.



