O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, publicou neste sábado (26) uma nota nas redes sociais em defesa do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e com críticas — sem citar o nome — ao colega André Mendonça, relator do caso Banco Master. Mendes afirmou que a decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal confirmou a "lisura" de Gonet e falou em "decisões individuais de enorme alcance, tomadas de afogadilho" na fase de investigação, com efeitos irreparáveis sobre reputações e instituições.
Na sexta-feira (25), o CSMPF rejeitou, por 5 votos a 4, abrir investigação criminal contra Gonet por suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e, por unanimidade, manteve o PGR à frente dos inquéritos do Master. O colegiado acompanhou o relator Francisco Sanseverino, para quem não há elementos mínimos de crime. Mendes escreveu que o resultado "confirma o que já se sabia" e lembrou que o próprio relator no STF já havia reconhecido em plenário a "fragilidade das insinuações" — "tarde demais", segundo o decano, depois que o sigilo foi levantado e as manchetes circularam.
O ministro associou o episódio ao afastamento cautelar do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, classificado por ele como medida "desproporcional" tomada por decisão individual (de Mendonça, depois revertida por Flávio Dino). Para Gilmar, os dois casos reforçam a necessidade de aplicar a lógica do juiz de garantias também aos processos do STF, a fim de frear concentrações de poder na fase de inquérito e conter o que descreveu como retrato de "vazamentos seletivos" no ciclo eleitoral.
A crise em torno do Master e das mensagens do celular de Vorcaro segue sem desfecho no plenário do Supremo, com pedido de vista de Dino que empurra o julgamento sobre eventual apuração envolvendo Alexandre de Moraes para depois do segundo turno, segundo aliados. A nota de Gilmar reabre o atrito público com Mendonça às vésperas da eleição de 4 de outubro e recoloca o PGR e a direção da PF no centro do embate institucional.



