domingo, 18 de outubro de 2026 · Edição diária

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Lula vai de 70,7 a 82,6 no índice digital da Quaest e passa Flávio, que caiu para 76,4

Entre 4 e 15 de outubro, Lula subiu 11,9 pontos no IPD da Quaest e chegou a 82,6, enquanto Flávio Bolsonaro recuou de 80 para 76,4. O índice mede presença e reação nas redes, não intenção de voto.

Eleitor usando celular para acompanhar a campanha do segundo turno
O IPD da Quaest cruza 175 variáveis de plataformas como Instagram, TikTok, X e YouTube. Foto: Pexels / Rodolfo Gaion

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ultrapassou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Índice de Popularidade Digital (IPD) da Quaest depois do 1º turno, segundo dados obtidos com exclusividade pela Folha e divulgados neste sábado (17) e domingo (18). Entre 4 e 15 de outubro, Lula foi de 70,7 para 82,6 pontos. Flávio, que terminou a primeira votação à frente nas urnas, caiu de 80 para 76,4.

Antes, a vantagem digital era de Flávio, por 9,3 pontos. Agora é de Lula, por 6,2. A virada acontece a poucos dias do 2º turno, em uma disputa que a própria Quaest mediu em empate técnico nas intenções de voto.

O que o índice mede e o que ele não mede

O IPD usa uma escala de 0 a 100 e reúne 175 variáveis de Facebook, Instagram, X, TikTok, YouTube, Google e Wikipédia. Entram no cálculo presença nas redes, fama (visibilidade e alcance), engajamento, mobilização, valência (o equilíbrio entre reações positivas e negativas) e interesse, medido por acessos e buscas recentes. A metodologia também considera a influência de robôs.

A ressalva vem na própria matéria: o índice não permite concluir que houve mudança equivalente na preferência do eleitorado, porque mede popularidade digital, não intenção de voto. Um candidato pode ser muito comentado, inclusive de forma negativa, e a valência existe justamente para separar uma coisa da outra.

O que a Quaest atribui à recuperação de Lula

De acordo com Felipe Nunes, diretor da Quaest, parte da melhora vem de mudanças na comunicação da campanha petista. Ele citou vídeos da deputada eleita Ana Elisa (PT-MG), em formato vertical, legendados e no estilo selfie, e a mobilização do deputado André Janones (Rede-MG) no canal Exército do Lula, no WhatsApp.

A reação digital coincidiu com a aprovação do fim da escala de trabalho 6x1. Segundo o relato, o tema ampliou a mobilização política também fora das redes, o que ajuda a explicar a alta de quase 12 pontos em pouco mais de uma semana.

Apoios na direita não impediram a queda de Flávio

Flávio recebeu nesse intervalo o apoio de Ronaldo Caiado (PSD-GO), Romeu Zema (Novo-MG), Augusto Cury (Avante-SP) e Michel Temer (MDB-SP). Mesmo assim, perdeu 3,6 pontos no índice. O senador também foi autorizado a visitar o pai, Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar desde agosto de 2025.

Como ler o dado até domingo

Para as campanhas, o IPD funciona como termômetro de energia militante e de alcance, não como previsão de resultado. Ele indica quem está conseguindo transformar o apoio já conquistado em conteúdo, compartilhamento e conversa a poucos dias da votação. Quem decide o 2º turno continua sendo o voto nas urnas, que as próximas pesquisas de intenção devem medir com mais precisão do que qualquer índice de redes.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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