O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara, pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito para apurar se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve participação econômica, direta ou por intermédio de laranjas, na estrutura da RioPag S.A., empresa que intermediava pagamentos de casas de apostas credenciadas pela Loterj, a loteria do Estado do Rio de Janeiro. A petição também mira o advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal no caso do INSS. O pedido foi divulgado nesta sexta-feira (25) pelo Poder360 e pelo Metrópoles.
Segundo a representação, Willer teria controlado a RioPag por meio de laranjas e usado o monopólio da intermediação de bets da Loterj como circuito financeiro para beneficiar Flávio de forma oculta. O texto aponta o uso de mansões e ilhas em Angra dos Reis, voos em jatos e imóveis mantidos pelo grupo. A petição cita ainda cerca de R$ 20,9 milhões em recursos públicos retidos pela RioPag que não foram localizados nas contas bancárias após ordem judicial de bloqueio, episódio que ajudou a encerrar o contrato com a loteria estadual.
Lindbergh pede inquérito sob supervisão do STF, quebra dos sigilos bancário e fiscal da RioPag e da Capital Pretium, identificação do beneficiário final e dos cotistas do fundo junto à CVM, planos de voo na Anac e no Decea, e oitiva de Lídia Mazelli, Hazenclever Cançado, Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro em até 60 dias. Em tese, as condutas poderiam configurar lavagem de dinheiro, peculato, fraude a licitações e irregularidades no sistema financeiro, hipóteses a serem investigadas e não fatos já comprovados.
O Poder360 e o Metrópoles buscaram a assessoria de Flávio Bolsonaro e de Willer Tomaz. Não houve resposta até a publicação das reportagens. O pedido chega no mesmo dia em que o governo Lula reforça a ofensiva contra o mercado de apostas online, com pacote que inclui restrições às bets.



