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LinkedIn tem 1 milhão de cliques em botão que denuncia post de IA e corta alcance do 'lixo'

O botão lançado em agosto passou de 1 milhão de usos em duas semanas, e o LinkedIn diz que ajustes na detecção derrubaram em 40% as visualizações de conteúdo que classifica como lixo de IA.

Pessoa usando o LinkedIn em um celular
O LinkedIn, controlado pela Microsoft, criou um botão para sinalizar publicações que parecem fruto de inteligência artificial. Foto: Pexels / Zulfugar Karimov

O LinkedIn lançou em agosto um botão para sinalizar publicações que parecem ter sido feitas por inteligência artificial, e a ferramenta foi usada mais de 1 milhão de vezes nas duas primeiras semanas, segundo reportagem da CNN publicada nesta quarta-feira (21).

A plataforma, que pertence à Microsoft, também afirma que melhorias nos sistemas de detecção reduziram em 40% as visualizações de conteúdo classificado como "lixo de IA". De acordo com a CNN, a informação foi divulgada pela empresa no mês anterior à reportagem.

Quanto do LinkedIn já é texto de máquina

Um relatório de julho da Pangram, empresa que monitora conteúdo de IA, apontou que mais de 40% das publicações de formato longo no LinkedIn foram geradas por inteligência artificial. No X e no Medium, a proporção ficou em cerca de 30%. Reddit e Substack tiveram índices menores.

Dan Roth, editor-chefe do LinkedIn e responsável pela estratégia de conteúdo, disse à CNN Internacional que os textos de IA começam a soar iguais. Se os usuários encontrarem muitos posts genéricos, afirmou, a rede corre o risco de perder espaço para outras plataformas.

Como o alcance cai

Publicações que o modelo da rede marca como de baixa qualidade e feitas por IA têm menos chance de ser compartilhadas além das conexões diretas do autor. A equipe de detecção é formada em grande parte por ex-jornalistas e especialistas em mídias sociais, que ajudam a treinar o modelo. Há ainda uma equipe de gestão de criadores, que atua como "terapeutas de conteúdo" para executivos, especialistas e outros usuários.

A empresa diz que não é contra a IA. Segundo Roth, o que reduz o alcance é a falta de edição e de personalização. Ele afirmou que usuários que publicam material produzido com ferramentas como Claude ou Gemini costumam ter desempenho baixo, e que a orientação da equipe é aceitar a imperfeição: gravar um vídeo com o celular apoiado numa xícara de café, por exemplo, ou escrever um post rápido para iniciar uma conversa.

A posição tem uma contradição que a própria reportagem registra. O LinkedIn já ofereceu ferramentas de IA para editar ou reescrever publicações, mas reduziu recentemente o alcance dessas funções. A Microsoft, dona da rede, incentiva o uso de suas ferramentas de IA, e a disputa com OpenAI e Anthropic também aparece no texto. YouTube, Pinterest e Spotify, segundo a CNN, também buscam limitar conteúdo gerado por IA.

O que muda para quem publica

Para executivos, consultores e empresas que usam o LinkedIn como vitrine, o efeito prático é que texto gerado e postado sem revisão tende a ser denunciado e a circular menos. A reportagem não traz números específicos para o Brasil, mas o botão e a redução de alcance valem para a plataforma como um todo. Quem usa IA para rascunhar passa a ter de editar o resultado com voz própria se quiser distribuição além da própria rede de contatos.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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