O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a falar em reforma do Judiciário na noite desta sexta-feira (25), em São Paulo. Diante de empresários e autoridades no evento Esfera Recebe, organizado pela Esfera Brasil e pelo grupo Prerrogativas, admitiu discutir se ministros do Supremo Tribunal Federal devem ter mandato ou permanecer até a aposentadoria compulsória aos 75 anos. Disse que não vai decidir sozinho e que a sociedade precisa se manifestar porque o que está acontecendo não é bom para o país.
No mesmo discurso, Lula classificou a crise do Banco Master como podridão e atacou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Afirmou nunca ter imaginado estar vivo para ver o que se vê hoje no Supremo e chamou Vorcaro de malandro. Disse que o empresário conseguiu corromper todo mundo e que, o que não corrompeu com dinheiro, corrompeu com orgia. Ligou o escândalo ao debate sobre regras de escolha e tempo de permanência na Corte.
O petista lembrou que a primeira reforma do Judiciário saiu em seu governo, com a criação do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público. Em tom de campanha, a nove dias do primeiro turno, contrapôs democracia e barbárie, prometeu estabilidade fiscal e criticou rivais que, segundo ele, beijariam a bandeira americana todos os dias. Citou terras raras e minerais críticos como risco de entrega ao interesse estrangeiro.
O encontro no Tivoli Mofarrej reuniu centenas de empresários, com presença de Geraldo Alckmin, ministros da Esplanada, presidentes de bancos públicos e executivos da Vale e da JBS. Mais cedo, no mesmo dia, Lula havia assinado a medida provisória que proíbe as bets. A fala sobre mandato no STF e a acusação de podridão no caso Master entram na disputa em que o presidente e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas.



