O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abre nesta terça-feira (22), por volta das 10h no horário de Brasília, o debate geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O Brasil discursa primeiro desde 1955. Em seguida sobe à tribuna o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Antes da fala, Lula tem encontro breve com o secretário-geral António Guterres, que deixa o cargo no fim do ano.
Segundo o g1 e O Globo, o roteiro combina defesa da soberania brasileira com cobrança por reforma do Conselho de Segurança e reforço do multilateralismo. Aliados dizem que a linguagem será firme, mas diplomática, sem ataques nominais. O objetivo interno, apontam auxiliares, é marcar contraste com Trump em democracia, comércio e paz, e projetar Lula como estadista perante o eleitor indeciso.
Parte do texto deve tratar de tentativas de interferência externa nas instituições e nas eleições brasileiras. Interlocutores afirmam que o presidente não deve citar Estados Unidos, Trump, Argentina ou Israel pelo nome, mas que os recados estarão no discurso. Para a diplomacia, democracia e multilateralismo estariam sob ataque. O processo eleitoral do Brasil não será o eixo central da fala.
Lula deve voltar a criticar a ONU pela dificuldade de encerrar guerras e pedir ampliação do Conselho de Segurança, hoje com cinco membros permanentes com poder de veto. O petista defende vaga permanente para países como Brasil, Japão, Alemanha e África do Sul. Também entram Ucrânia e Oriente Médio, impactos em alimentos, fertilizantes e combustíveis, combate ao crime organizado transnacional, transição ecológica e Agenda 2030.
Na véspera, em entrevista à CNN, Lula chamou Trump de "imperador" e falou em Lei da Reciprocidade se não houver acordo comercial. A tensão Brasil-EUA paira sobre a abertura. Após o discurso, a previsão é retorno ao Brasil ainda nesta terça. O tema da assembleia é "Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas".



