O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, alertou representantes da Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos) contra a "relativização da soberania" e a "erosão do multilateralismo". O discurso ocorreu em Nova York, onde o chanceler acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU.
A informação foi divulgada pelo Itamaraty nas redes sociais. Segundo a nota, Vieira falou na reunião de ministros da Celac sem que o texto oficial detalhasse trechos adicionais da fala. O g1 e o Brasil 247 registram o aviso no mesmo dia em que Lula discursa na assembleia com foco em soberania e em tensão diplomática com os Estados Unidos.
Integrantes do governo brasileiro avaliam que Washington tem tentado influenciar o processo eleitoral deste ano. No radar do Planalto estão o tarifaço sobre produtos brasileiros, a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais e a indicação de um político alinhado à direita, e não de um diplomata de carreira, para a embaixada dos EUA no Brasil.
Lula já disse publicamente que deseja encontrar o presidente Donald Trump para pedir que não haja interferência nas eleições brasileiras. Em conversa telefônica recente de cerca de uma hora e meia, segundo auxiliares que acompanharam o contato, Trump mencionou o pleito e ouviu de Lula que a votação segue normal e que o sistema eletrônico é confiável.
Na mesma reunião da Celac, Vieira reiterou a defesa brasileira de uma candidatura da região, e de uma mulher, ao posto de secretário-geral da ONU no lugar de António Guterres, cujo mandato termina neste ano. O Brasil apoiava a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, que desistiu; o Itamaraty ainda não anunciou novo nome, mas sustenta que a América Latina e o Caribe têm mulheres à altura do cargo.



