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Marco Aurélio: processo reaberto por Gilmar no Bolsa Família está morto

Ex-ministro do STF afirma que mandado arquivado em 2024 é processo findo e não serve para validar o reajuste de 15% do Bolsa Família a 17 dias da eleição.

Marco Aurélio Mello, ministro aposentado do STF
Marco Aurélio Mello; ex-ministro diz que processo arquivado reaberto por Gilmar Mendes está morto. Foto: Anderson Riedel / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O ministro aposentado do STF Marco Aurélio Mello afirmou que o mandado de injunção 7.300, arquivado em 2024 e usado por Gilmar Mendes para validar o reajuste do Bolsa Família, é um processo findo. Em entrevista ao Poder360, ele disse que processo arquivado, com preclusão da decisão, está morto e não cabe simplesmente desarquivá-lo para implementar uma nova medida.

Gilmar Mendes reconheceu na sexta (18) a legalidade do reajuste de 15,04% do benefício, que eleva o piso de R$ 600 para R$ 691. A decisão veio um dia depois do anúncio do presidente Lula e a 17 dias do primeiro turno. O MI 7.300 começou em 2020, teve Marco Aurélio como relator original e Gilmar como redator do acórdão; transitou em julgado e foi ao arquivo em agosto de 2024.

Para Marco Aurélio, o problema ultrapassa o Bolsa Família porque a forma de usar um processo encerrado afeta a previsibilidade das decisões. Ele cobrou colegialidade e lembrou que, em sua época, a ação mandamental ia ao plenário. Também disse que a legislação proíbe melhoria de benefício no período crítico eleitoral e que o Supremo não é instrumento do Executivo.

O constitucionalista André Marsiglia, ouvido pela mesma reportagem, apontou violação ao juiz natural: vincular questão eleitoral sensível a um processo antigo permite escolher o relator. Ele classificou a manobra como interferência indevida nas eleições e disse que a decisão esvazia a Justiça Eleitoral ao tirar dela a análise direta do tema.

Fontes consultadas

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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