terça-feira, 8 de setembro de 2026 · Edição diária

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Mistral capta €3 bi com a Samsung e dobra o valor para US$ 24 bilhões

A startup francesa anunciou nesta terça (8) a maior rodada de equity de uma tech privada na Europa. Arthur Mensch diz que o dinheiro vai para data centers próprios e modelos maiores, como alternativa aberta à OpenAI e à Anthropic.

Arthur Mensch, CEO e cofundador da Mistral AI, fala ao microfone.
Arthur Mensch, CEO da Mistral: o capital novo dobra a valuation em um ano e financia data centers próprios. Foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Mistral, laboratório francês de inteligência artificial, anunciou nesta terça-feira (8) uma captação de 3 bilhões de euros (cerca de US$ 3,5 bilhões) liderada pela Samsung Electronics. A rodada dá à empresa uma valuation pós-money acima de 21 bilhões de euros, o equivalente a cerca de US$ 24 bilhões, o dobro dos 11,7 bilhões de euros de um ano atrás, quando a ASML liderou o cheque anterior.

O Scaleup Europe Fund, fundo da União Europeia gerido pela EQT, e o investidor antigo PSG Equity entram como coleaders. A CNBC descreveu a operação como a maior captação de equity já concluída por uma empresa de tecnologia privada na Europa. Advent, fundos da BlackRock e o Grão-Ducado de Luxemburgo aparecem entre os novos nomes.

Arthur Mensch, CEO e cofundador, disse à CNBC que o dinheiro vai para infraestrutura, inclusive data centers próprios, e para aluguel de capacidade de computação. No longo prazo, o plano é depender da capacidade que a própria Mistral construir. Segundo ele, o volume de compute que a empresa possui deve crescer cerca de 100% nos próximos cinco anos. A casa também vai treinar modelos maiores e mais rápidos.

A aposta da Mistral é o modelo de pesos abertos, em contraste com os sistemas fechados da OpenAI e da Anthropic. A empresa de Paris trabalha com clientes para ferramentas sob medida, no mesmo recorte que já aplica na manufatura da ASML. Mensch disse que a parceria com a Samsung deve seguir linha parecida.

A receita recorrente anual deve passar de US$ 1 bilhão neste ano, segundo o CEO. Com a rodada e as parcerias, ele espera superar essa marca se a tendência se confirmar, mas não deu um número revisado. A Mistral se vende como alternativa europeia, nem americana nem chinesa, num mercado em que governos e empresas pedem IA soberana.

Mensch reconheceu a concorrência dos laboratórios chineses de código aberto, mas afirmou que eles não operam de fato com clientes corporativos fora da China. A garantia que a Mistral pode dar, disse, é continuar treinando os próprios modelos para que, daqui a um ano, o cliente tenha acesso a sistemas melhores do que os de hoje.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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