terça-feira, 8 de setembro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Pisa 2025: 48% dos alunos brasileiros usam IA na escola, acima da média da OCDE

Quase metade dos estudantes de 15 anos recorre a chatbots ao menos uma vez por semana para tarefas escolares, mas a capacidade digital das escolas segue abaixo do padrão internacional.

Estudantes trabalhando em laboratório de informática com monitores, em sala de aula iluminada.
Pisa 2025: 48% dos alunos brasileiros usam IA na escola ao menos uma vez por semana, acima da média da OCDE. Foto: Wikimedia Commons (Pleasant Valley Unified School District / CC BY-SA)

Quase metade (48%) dos alunos brasileiros de 15 anos usa chatbots de inteligência artificial ao menos uma vez por semana para fazer tarefas escolares, índice acima da média da OCDE, que é de 46%. O dado consta do Pisa 2025, divulgado nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, e expõe um paradoxo: o país está na frente em adoção, mas tem capacidade digital escolar abaixo do padrão internacional.

O Pisa 2025 traz o primeiro recorte amplo do uso de IA em sala de aula entre países da OCDE e parceiros. No Brasil, 48% dos estudantes de 15 anos declararam usar chatbots ao menos uma vez por semana para atividades da escola. A média dos países membros ficou em 46%. A diferença é pequena em pontos percentuais, mas simbólica: o país, que historicamente aparece nas últimas posições em infraestrutura digital, agora empata ou ultrapassa economias mais ricas no uso da ferramenta.

A capacidade digital das escolas brasileiras, porém, segue abaixo do padrão internacional. O Pisa mede essa dimensão a partir de fatores como disponibilidade de dispositivos, conectividade, qualidade dos softwares e suporte pedagógico. O resultado coloca o Brasil na parte de baixo do ranking, ao lado de economias com renda per capita menor, ainda que os alunos tenham acesso aos chatbots por conta própria, via celular ou computador pessoal.

A combinação tem implicações diretas para o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que prevê R$ 23 bilhões em investimentos até 2028 e a construção de infraestrutura compartilhada, incluindo um supercomputador para saúde, benefícios sociais, segurança urbana e triagem judicial. O plano trata da infraestrutura nacional de IA, mas não detalha como levar a ferramenta ao cotidiano das escolas com qualidade pedagógica.

Para pesquisadores ouvidos pelas redações que cobriram o relatório, o resultado reforça a urgência de duas agendas paralelas. A primeira é regulatória: o PL 2338/2023, que está em comissão especial na Câmara dos Deputados, precisa definir regras para o uso educacional de IA, incluindo proteção de dados de menores, transparência algorítmica e limites ao uso de chatbots em avaliações. A segunda é de capacitação docente: professores precisam entender como a ferramenta altera o trabalho escolar para orientar os alunos, sem vetar nem liberar o uso sem critério.

O Pisa também mostrou que, no Brasil, apenas cerca de metade dos adolescentes de 15 anos consegue interpretar texto em nível considerado adequado pela OCDE. O dado reforça o alerta de que o uso mais intenso de IA em tarefas escolares, sem base de leitura sólida, pode ampliar desigualdade em vez de reduzir.

Para o ciclo escolar de 2026, o Pisa sugere um caminho pragmático: tratar a IA como recurso pedagógico comum, mas investir simultaneamente em conectividade, formação docente e regras claras de uso. Sem essa combinação, o salto na adoção observado no Brasil pode se converter em problema novo.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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