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Empresa de Vorcaro pagou R$ 74 mi no jatinho usado por Moraes

Certidão da Anac aponta compra de R$ 74,2 milhões do Legacy PP-NLR pela Fraction 024, ligada ao dono do Master; jato foi oferecido à mulher do ministro.

Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal
Alexandre de Moraes; Anac registra R$ 74,2 mi no Legacy usado pelo ministro e pela mulher. Foto: Palácio do Planalto / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O jato Legacy de matrícula PP-NLR usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, e por sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, foi comprado por R$ 74,2 milhões por uma empresa ligada a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O valor aparece em certidão da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) levantada pelo jornal O Globo e publicada nesta terça-feira (22).

Segundo a reportagem, a compra foi concluída em março de 2023 pela Fraction 024, presidida por Marcus Vinicius da Mata, sócio de Vorcaro na Prime You Aviation, que assumiu a operação do Legacy. No domingo, o colunista Lauro Jardim divulgou vídeo em que Moraes e Viviane desembarcam da aeronave no Aeroporto Santos Dumont, no Rio, em agosto de 2025.

Mensagens da Polícia Federal no celular de Vorcaro, entregues ao ministro André Mendonça, mostram que o banqueiro pediu em maio de 2025 que o Legacy ficasse à disposição de Viviane. Naquele mês, o escritório Barci de Moraes e a Viking Participações, outra empresa de Vorcaro, negociavam contrato de honorários de até R$ 50 milhões em três anos. Vorcaro ofereceu cotas do jato e de um helicóptero para abater cerca de 80% do valor.

Em 16 de julho de 2025, Vorcaro cobrou o sócio sobre o uso das aeronaves e pediu que tudo ficasse disponível. No mesmo dia, o escritório enviou à Viking fatura de R$ 24,3 milhões citada nas mensagens. O material da PF veio a público depois que Mendonça levantou o sigilo do relatório, agora no plenário do STF para decidir se abre apuração contra Moraes.

Já se sabia de contrato de 2024 em que o próprio Master pagava R$ 3,6 milhões mensais ao escritório, cerca de R$ 80 milhões até novembro de 2025. O segundo contrato, com cessão de aeronaves, não aparece assinado no material da PF. O escritório Barci de Moraes disse ter contratado táxi aéreo, inclusive da Prime Aviation, e negou aquisição de cotas ou troca do contrato original, extinto com a liquidação do banco. Moraes, em defesa no STF, alegou que o escritório não tinha outro vínculo com o Master ou empresas relacionadas.

Fontes consultadas

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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