Alexander Embiricos, responsável pelo Dots na OpenAI, afirmou na quinta-feira (15), no TechCrunch Disrupt, em São Francisco, que trabalhadores já podem delegar tarefas à inteligência artificial para reduzir a própria carga. A declaração foi publicada pelo Business Insider e repercutida pela Exame nesta sexta-feira (16).
Embiricos respondeu a uma pergunta sobre quando a IA devolveria mais tempo livre às pessoas. A pergunta citava um funcionário da OpenAI que usava o ChatGPT no carro e no avião. Segundo o executivo, o ganho está na escolha: o tempo liberado pode ir para entregar mais ou para trabalhar menos. Ele próprio disse estar entre os que preferem trabalhar mais para aproveitar o momento da tecnologia.
O que o Dots faz e como a OpenAI o apresenta
O Dots é a aposta da empresa em agentes de IA que acompanham tarefas e projetos. Diferente de um assistente que só responde perguntas, o agente continua trabalhando entre uma conversa e outra. A OpenAI cita como exemplos a atualização de apresentações, a checagem de informações de clientes e a preparação de alterações de código para revisão humana.
Cada agente usa um computador próprio na nuvem e as ferramentas que o usuário conecta. De acordo com a empresa, quem usa decide quais aplicativos o agente pode acessar e quais ações exigem aprovação antes de serem executadas.
O que a Gallup encontrou entre trabalhadores americanos
Os números ajudam a testar a promessa. Pesquisa da Gallup divulgada em 6 de outubro mostra que 63% dos trabalhadores dos EUA que usaram IA no trabalho dizem que ela permite concluir tarefas mais rapidamente. Ao mesmo tempo, 31% afirmam que o empregador passou a pedir mais responsabilidades. Entre os que relatam trabalhar mais rápido, o percentual sobe para 37%.
O levantamento integra o American Job Quality Study, feito com a Jobs for the Future e o Families & Workers Fund. Foram ouvidos 7.845 trabalhadores que usaram IA ao menos algumas vezes no ano anterior, entre 26 de janeiro e 24 de março de 2026. Os dados são percepções dos participantes, não uma medição independente do tempo economizado.
Quem decide o destino do tempo liberado
Os dois conjuntos de informação apontam para a mesma lacuna. A escolha descrita por Embiricos existe na ferramenta, mas quem a exerce nem sempre é o trabalhador. Para quase um terço dos entrevistados da Gallup, a velocidade extra virou tarefa nova, e a taxa é maior justamente entre quem mais ganhou ritmo.
Para empresas brasileiras que avaliam agentes de IA, a conta passa pela organização do trabalho: se o tempo poupado for redirecionado para novas demandas, o expediente não encolhe. Terminar mais cedo depende de a chefia definir de antemão que parte do ganho vira descanso e que parte vira entrega.



