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Quaest: medo da volta dos Bolsonaro sobe na classe média e empata com temor de Lula

Levantamento divulgado na quarta-feira mostra temor por Flávio e por Lula empatados em 43% no país, com salto de 6 pontos entre eleitores de dois a cinco salários mínimos desde o início de outubro.

Urna eletrônica em seção de votação no Brasil
Pesquisa Quaest ouviu 2.154 eleitores entre 10 e 13 de outubro para medir o segundo turno presidencial. Foto: Pexels

Pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (14), encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Globo, mostra que o temor de uma volta da família Bolsonaro ao poder empatou com o medo da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ambos na marca de 43% do eleitorado nacional. O instituto ouviu 2.154 pessoas entre os dias 10 e 13 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, e o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-08729/2026, segundo o g1.

O resultado representa uma alta de três pontos no temor por um retorno dos Bolsonaro em relação ao levantamento anterior, feito em 3 de outubro, véspera do primeiro turno, quando o indicador havia marcado 40%, o menor nível desde 5 de agosto. Já o medo da continuidade do governo Lula permanece em 43% desde 21 de setembro, de acordo com o instituto.

A alta entre quem ganha de dois a cinco salários mínimos

O avanço mais expressivo apareceu entre eleitores que ganham de dois a cinco salários mínimos. Nesse grupo, o temor de uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) subiu de 36%, em 3 de outubro, para 42% na pesquisa desta quarta-feira, alta de seis pontos, acima da margem de erro do segmento, que é de quatro pontos, segundo o O Globo. O medo da reeleição de Lula no mesmo recorte de renda recuou de 46%, na véspera do primeiro turno, para 44%, oscilação dentro da margem de erro.

Por faixa etária, o temor de uma vitória de Flávio também cresceu entre eleitores de 16 a 34 anos, de 39% para 45%, alcançando o mesmo porcentual de quem teme a reeleição de Lula nesse grupo. Entre eleitores de 35 a 59 anos, o medo de Lula prevalece, com 46% contra 40% para Flávio. Entre os que têm 60 anos ou mais, o temor de uma vitória do senador soma 45%, contra 35% para Lula, segundo o levantamento.

Os motivos do medo em cada lado

Questionados sobre o motivo do receio de uma volta dos Bolsonaro, 16% dos entrevistados disseram não gostar de Flávio ou da família, 11% citaram autoritarismo e ataques ao STF, 11% apontaram o governo de Jair Bolsonaro como ruim, 11% mencionaram o fim de programas sociais e 9% citaram corrupção, rachadinha e o caso Master. Entre os que temem a reeleição de Lula, 32% apontaram corrupção, o caso Lulinha e o INSS, 20% citaram piora da economia e do custo de vida, 16% disseram que o governo atual é ruim e 7% mencionaram autoritarismo e perpetuação no poder, de acordo com a pesquisa.

O que o empate muda na corrida ao Planalto

A Quaest também mediu a intenção de voto no segundo turno: Flávio Bolsonaro aparece com 46%, contra 44% de Lula, com 1% de indecisos e 9% entre brancos, nulos e quem não vai votar, resultado dentro da margem de erro de dois pontos. É o primeiro levantamento do instituto feito depois do primeiro turno, no qual o senador fluminense terminou na frente, com 47% dos votos válidos, contra 45% do petista, segundo o g1.

O empate no medo recíproco mostra que nenhuma das duas campanhas conseguiu até agora transformar o temor ao adversário em vantagem clara de voto, com a disputa seguindo dentro da margem de erro faltando poucos dias para a votação final. A movimentação mais relevante, segundo a Quaest, está entre a classe média e os eleitores mais jovens, grupos que podem decidir o resultado do segundo turno.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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