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Salesforce: 81% dos funcionários dizem que a IA aumenta a produtividade, mas parte relata mais carga

Levantamento interno da Salesforce com cerca de 80% dos 76 mil profissionais mostra que 81% veem ganho de produtividade, mas parte relata trabalho mais intenso. Os dados medem percepção, não desempenho.

Profissionais de escritório trabalhando com notebooks
Pesquisa interna da Salesforce ouviu cerca de 80% dos 76 mil profissionais da empresa sobre o uso de IA no trabalho. Foto: Pexels / Thirdman

A Salesforce descobriu que 81% de seus funcionários consideram que a inteligência artificial aumenta a produtividade, segundo levantamento interno obtido pelo Business Insider e relatado nesta quarta-feira (21) pela Exame. A mesma pesquisa registra um efeito colateral: alguns trabalhadores afirmam que a rotina ficou mais intensa.

O estudo, chamado Great Insights, foi aplicado em novembro de 2025 e alcançou cerca de 80% dos 76 mil profissionais da empresa. Do total, 83% disseram se sentir preparados para lidar com riscos da tecnologia, como vieses. O índice de prontidão para IA chegou a 85%, alta de 18% em relação ao ano anterior.

O que os números dizem sobre a carga de trabalho

Na questão da rotina, 62% relataram cargas mais administráveis. O dado convive com relatos de que o trabalho ficou mais intenso, o que aparece na matéria como uma ressalva dos próprios funcionários.

Jason Schloetzer, professor da Universidade de Georgetown, afirmou à reportagem que a IA pode permitir que as pessoas assumam mais atividades sem necessariamente aliviar a carga. Na leitura dele, o tempo poupado numa tarefa pode ser ocupado por outra.

A Salesforce cita ferramentas internas como motor dos ganhos. Entre elas estão um recurso do Slack que localiza modelos de projetos antigos e o Career Connect, que avalia pontos fortes e fracos dos funcionários para apoiar o desenvolvimento de carreira. Há também agentes de IA, que executam tarefas com autonomia a partir de objetivos definidos pelo usuário, como responder pedidos de suporte. Segundo a empresa, o Agentforce no Slack economizou mais de 500 mil horas de trabalho em um ano.

Fluência em IA vira política de treinamento

A companhia publicou o AI Fluency Playbook, que organiza o preparo das equipes em três frentes: engajamento, ativação e especialização. Pela descrição da Exame, fluência significa entender o que a ferramenta faz, escrever boas instruções e revisar o resultado antes de usá-lo.

Dois exemplos ilustram a regra. Um analista de marketing pode usar IA para resumir relatórios e montar rascunhos de apresentações, mas precisa conferir os números e ajustar o tom ao público. No RH, a ferramenta pode organizar currículos, com a decisão final nas mãos de pessoas.

Outras pesquisas citadas na matéria apontam na mesma direção. O Workforce Index, do Slack, ouviu 5 mil profissionais de escritório no mundo: 60% já usam IA de alguma forma, e quem a usa diariamente relata mais produtividade e satisfação. Esse levantamento foi aplicado pela Qualtrics e não teve como alvo funcionários ou clientes da Salesforce. No Brasil, o Índice de Confiança do Trabalhador, do LinkedIn, mostra que 81% dos profissionais afirmam que ferramentas de IA os tornam mais eficientes.

O que o dado não prova para quem decide

Os 81% medem percepção. A pesquisa não mede produtividade diretamente, e refere-se a uma única empresa, que também vende soluções de IA. Um gestor que usar o número como meta para o próprio negócio estará comparando opinião de funcionários com resultado de caixa.

O ponto prático está nas ressalvas. Se o tempo liberado por agentes e assistentes é preenchido por mais demandas, o ganho individual pode não aparecer na jornada nem nos indicadores. Empresas que adotam IA tendem a precisar definir, antes da implantação, se a meta é entregar o mesmo com menos horas ou mais com as mesmas, e acompanhar a carga de trabalho com a mesma atenção dada à velocidade.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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