domingo, 18 de outubro de 2026 · Edição diária

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Trump declara apoio a Netanyahu a nove dias da eleição em Israel, mas pesa pouco entre eleitores

O presidente dos EUA deu apoio completo e total à reeleição do premiê israelense, que enfrenta julgamento por corrupção. Pesquisa de julho mostra que só 7% dos israelenses confiam muito em Trump.

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu
Netanyahu disputa a reeleição na votação de 27 de outubro, a primeira desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023. Foto: Speaker of the house Boehner / Wikimedia Commons (Public domain)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste domingo (18), em publicação nas redes sociais, apoio à reeleição do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a nove dias da votação de 27 de outubro, segundo o Poder360 e a CNN Brasil. Trump descreveu o aliado como um grande primeiro-ministro guerreiro e disse dar a ele apoio completo e total. Netanyahu agradeceu e afirmou que Israel nunca teve amigo maior na Casa Branca.

O gesto quebra a tradição americana de neutralidade em eleições estrangeiras, observa o Poder360, que lista apoios explícitos anteriores de Trump na Hungria, na Colômbia, na Argentina, no Japão e em Honduras. O candidato hondurenho apoiado por ele venceu.

O que está em jogo para Netanyahu

A eleição para o Knesset, o Parlamento israelense, é a primeira desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023. Netanyahu tem 76 anos, responde a processo por corrupção e enfrenta pressão política por falhas de segurança na guerra e pelas negociações de cessar-fogo entre Washington e Teerã. Segundo o Poder360, as pesquisas de intenção de voto indicam disputa apertada, sem favorito claro.

O principal adversário, de acordo com o Poder360, é Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas, que criticou a interferência de Trump no processo eleitoral israelense. A CNN Brasil não nomeia o rival em sua análise e cita apenas fontes anônimas da oposição, uma delas dizendo que o encanto com Trump se perdeu.

Uma relação mais tensa do que o post sugere

A análise da CNN Brasil, assinada por Tal Shalev e Kevin Liptak, mostra que o apoio público contrasta com meses de atrito. Fontes ouvidas pelo veículo afirmam que Trump usou linguagem dura em telefonemas com Netanyahu por causa das ações israelenses no Líbano e em Gaza, e que o avisou sobre a perda de apoio da opinião pública americana. Assessores de Trump também viram alguns movimentos do premiê como motivados pela eleição, entre eles a possibilidade de prolongar o conflito com o Irã.

Antes do post, o próprio Trump vinha mantendo distância. À revista Time, disse que não estava mais envolvido na política israelense. Em 15 de outubro, à Newsmax, afirmou que não ouve coisas ruins sobre o principal desafiante e que não subestimaria Netanyahu. A CNN Brasil também informa que Trump pretendia receber o Prêmio Israel pessoalmente, como impulso ao premiê, mas nunca confirmou presença.

Pouco efeito nas urnas e o risco de nova ofensiva no Irã

O ganho eleitoral parece limitado. Uma pesquisa do Jewish People Policy Institute de julho mostrou que apenas 7% dos israelenses tinham muita confiança de que Trump faria o certo nas relações entre os dois países, e 45% não tinham confiança alguma. Uma fonte do Likud, partido de Netanyahu, disse à CNN Brasil que o apoio é positivo, mas não indispensável. Entre eleitores de direita, o desgaste vem em parte do cessar-fogo com o Irã, que foi mal recebido nesse campo.

A guerra continua no horizonte. EUA e Israel atacaram o Irã juntos em 28 de fevereiro de 2026, e um cessar-fogo e depois um memorando de entendimento se seguiram. No mesmo post, segundo a CNN Brasil, Trump sugeriu retomar a guerra se Teerã não mudar de postura. Fontes israelenses dizem que os dois líderes discutiram novos ataques e que autoridades de segurança aguardam apenas a decisão de Trump, com prazo incerto por causa das eleições legislativas americanas. Netanyahu nega buscar escalada e disse à Rádio do Exército que um novo ataque não é conveniente para Israel.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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