O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste domingo (18), em publicação nas redes sociais, apoio à reeleição do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a nove dias da votação de 27 de outubro, segundo o Poder360 e a CNN Brasil. Trump descreveu o aliado como um grande primeiro-ministro guerreiro e disse dar a ele apoio completo e total. Netanyahu agradeceu e afirmou que Israel nunca teve amigo maior na Casa Branca.
O gesto quebra a tradição americana de neutralidade em eleições estrangeiras, observa o Poder360, que lista apoios explícitos anteriores de Trump na Hungria, na Colômbia, na Argentina, no Japão e em Honduras. O candidato hondurenho apoiado por ele venceu.
O que está em jogo para Netanyahu
A eleição para o Knesset, o Parlamento israelense, é a primeira desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023. Netanyahu tem 76 anos, responde a processo por corrupção e enfrenta pressão política por falhas de segurança na guerra e pelas negociações de cessar-fogo entre Washington e Teerã. Segundo o Poder360, as pesquisas de intenção de voto indicam disputa apertada, sem favorito claro.
O principal adversário, de acordo com o Poder360, é Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas, que criticou a interferência de Trump no processo eleitoral israelense. A CNN Brasil não nomeia o rival em sua análise e cita apenas fontes anônimas da oposição, uma delas dizendo que o encanto com Trump se perdeu.
Uma relação mais tensa do que o post sugere
A análise da CNN Brasil, assinada por Tal Shalev e Kevin Liptak, mostra que o apoio público contrasta com meses de atrito. Fontes ouvidas pelo veículo afirmam que Trump usou linguagem dura em telefonemas com Netanyahu por causa das ações israelenses no Líbano e em Gaza, e que o avisou sobre a perda de apoio da opinião pública americana. Assessores de Trump também viram alguns movimentos do premiê como motivados pela eleição, entre eles a possibilidade de prolongar o conflito com o Irã.
Antes do post, o próprio Trump vinha mantendo distância. À revista Time, disse que não estava mais envolvido na política israelense. Em 15 de outubro, à Newsmax, afirmou que não ouve coisas ruins sobre o principal desafiante e que não subestimaria Netanyahu. A CNN Brasil também informa que Trump pretendia receber o Prêmio Israel pessoalmente, como impulso ao premiê, mas nunca confirmou presença.
Pouco efeito nas urnas e o risco de nova ofensiva no Irã
O ganho eleitoral parece limitado. Uma pesquisa do Jewish People Policy Institute de julho mostrou que apenas 7% dos israelenses tinham muita confiança de que Trump faria o certo nas relações entre os dois países, e 45% não tinham confiança alguma. Uma fonte do Likud, partido de Netanyahu, disse à CNN Brasil que o apoio é positivo, mas não indispensável. Entre eleitores de direita, o desgaste vem em parte do cessar-fogo com o Irã, que foi mal recebido nesse campo.
A guerra continua no horizonte. EUA e Israel atacaram o Irã juntos em 28 de fevereiro de 2026, e um cessar-fogo e depois um memorando de entendimento se seguiram. No mesmo post, segundo a CNN Brasil, Trump sugeriu retomar a guerra se Teerã não mudar de postura. Fontes israelenses dizem que os dois líderes discutiram novos ataques e que autoridades de segurança aguardam apenas a decisão de Trump, com prazo incerto por causa das eleições legislativas americanas. Netanyahu nega buscar escalada e disse à Rádio do Exército que um novo ataque não é conveniente para Israel.



