A parcela de vagas de emprego no Brasil que exigem competências de inteligência artificial quase triplicou em um ano, de 1,1% para 3,6% dos anúncios entre 2024 e 2025, segundo o AI Jobs Barometer 2026, da PwC, divulgado pela Exame nesta quarta-feira (21). Isso corresponde a cerca de 119 mil vagas novas, de acordo com a reportagem.
O estudo analisou mais de 1 bilhão de anúncios em seis continentes, com dados compilados pela Lightcast. No Brasil, a procura não se limita a cargos de tecnologia e chega também a quem está começando a carreira.
Quem usa IA pesa mais do que quem a constrói
Em 2025, as vagas voltadas a aplicar IA no dia a dia cresceram em cerca de 102 mil. As ligadas ao desenvolvimento da tecnologia aumentaram em torno de 16,7 mil. O mercado brasileiro, portanto, contrata sobretudo quem usa a ferramenta para resumir documentos, organizar planilhas ou produzir a primeira versão de uma apresentação.
O setor de tecnologia, mídia e telecomunicações lidera, com 13% das vagas ligadas a IA em 2025. Serviços profissionais, como consultorias e escritórios de advocacia, também relatam procura crescente.
As ocupações mais expostas à IA ganharam em média 314 novas competências por função em relação a 2021. Nas menos expostas, o acréscimo foi de 88. A PwC avisa que isso não quer dizer que o profissional precise dominar todas, e que parte do aumento pode refletir apenas o maior número de anúncios.
O que as empresas passaram a pedir
Além do uso prático das ferramentas, o relatório aponta a revisão crítica dos resultados: checar erros e fontes, identificar vieses e validar informações. Quando a IA redige um relatório, o trabalho humano se desloca para a verificação. Em escala global, as novas atividades nas ocupações mais expostas têm 2,5 vezes mais chance de exigir julgamento, empatia e criatividade.
Nas vagas de entrada, o efeito é mais duro. No mundo, os cargos juniores das funções mais expostas à IA têm sete vezes mais chance de pedir habilidades típicas de perfis experientes, como liderança e pensamento estratégico. A PwC chama o movimento de seniorização das vagas de entrada. Dan Priest, diretor de IA da PwC nos Estados Unidos, disse que a mudança não deve ser lida como tentativa das empresas de limitar contratações e que a adaptação exigirá esforço de empresas, instituições de ensino e formuladores de políticas públicas.
O que muda para quem busca vaga ou treina equipes
Do lado das empresas, uma pesquisa da Pearson com a Cognizant, feita com 750 líderes de RH nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Índia, mostra que 60% deles dizem que seus programas de aprendizagem não acompanham a mudança nas funções. Outros 64% relatam dificuldade para encontrar profissionais com habilidades de IA.
A reportagem observa que as atividades de um cargo podem mudar mesmo quando o título continua o mesmo. A sugestão é comparar as tarefas atuais com os anúncios da própria área e anotar onde a IA aparece, porque é nesse ponto que o mercado está medindo o candidato.



