Mensagens obtidas pela Polícia Federal e reveladas neste domingo (27) pelo jornal O Globo mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, aprimorou um método de aproximação de autoridades baseado em festas, hospedagens de luxo, jatinhos, uísque e charutos. Especialistas ouvidos pela reportagem descrevem a estratégia como a de um concierge do poder, com microgestão de agrados para ampliar influência e obter vantagens.
Os diálogos indicam que Vorcaro escolhia bebida, acomodação e prioridade de atendimento para comitivas. Em conversas sobre o carnaval de 2025 no Rio, ele discute detalhes da estadia do ministro Kassio Nunes Marques, do STF, e do grupo. Em nota, o ministro afirmou que nunca trocou mensagens com Vorcaro nem pediu nada a ele. A PF aponta ainda o uso da Prime You, empresa de compartilhamento de bens de luxo da qual o banqueiro foi sócio até setembro de 2025, para distribuir aeronaves, barcos e mansões.
Entre os bens operados pela Prime You está o jatinho usado pelo ministro Alexandre de Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, em voo ao Rio. Mensagens mostram Vorcaro pedindo prioridade ao escritório dela, com o qual firmou contrato de R$ 130 milhões. O escritório disse que contratou táxi aéreo de diferentes empresas e que isso não representa vínculo pessoal com proprietários de aeronaves. Em dezembro de 2023, Vorcaro pediu experiência ultra VIP no hotel Six Senses Botanique, em Campos do Jordão, para comitiva ligada a Moraes, com cantor, cavalos e seguranças.
A cientista política Maria Tereza Sadek, da USP, avalia que a aproximação em si não é inédita, mas a dimensão do caso Vorcaro alcança Judiciário, Executivo e Legislativo. O presidente do STF, Edson Fachin, tem defendido código de ética para o Judiciário; Sadek vê a medida como útil, porém insuficiente sem mais transparência sobre agendas e encontros. Vorcaro segue preso e negocia delação premiada, com resistência a devolver ativos, segundo a reportagem.



