O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em proposta de delação premiada rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, que um grupo ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) recebia cerca de R$ 3 milhões por mês em vantagens ligadas a negócios do Banco Master na Bahia. A informação foi publicada pelo UOL e confirmada nesta sexta-feira (25) pela CNN Brasil.
Segundo o relato, R$ 2 milhões mensais saíam de contrato entre o Master e a PKL One, empresa que explorava o Credcesta, cartão de crédito consignado de servidores públicos baianos. Outro R$ 1 milhão seria pago em espécie a aliados do senador. Vorcaro também citou distribuição de dividendos, lucros e contratos que classificou como fictícios, inclusive um envolvendo a filha do parlamentar e uma offshore.
O ex-banqueiro disse que soube dos acertos pelo ex-sócio Augusto Lima e que nunca presenciou o pagamento. A proposta aponta Guilherme Henrique Sodré Martins, o Guiga, como operador do esquema e menciona o grupo de Wagner e do ministro Rui Costa no mesmo capítulo. Documentos confirmam o contrato de cerca de R$ 2 milhões mensais com a PKL One, mas não identificam Wagner como beneficiário direto dos valores.
PF e PGR recusaram a delação por falta de elementos de corroboração. A defesa de Wagner classificou as acusações como falsas e negou vínculo com a PKL One. A defesa de Vorcaro contestou a autenticidade do material divulgado, e a de Lima também negou o relato. Wagner deixou a liderança do governo no Senado em junho, após a Operação Compliance Zero, que já apontava vantagens indevidas ligadas ao Master.



