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Abert, ANER e ANJ acusam TSE e STF de agredir a imprensa após debate da Globo ser cancelado

Três entidades de mídia dizem que decisões de Estela Aranha, Gilmar Mendes e Nunes Marques atropelaram regras fechadas com os partidos. A Globo cancelou o debate presidencial em 1º de outubro, três dias antes da votação.

Estúdio de televisão preparado para debate eleitoral
A TV Globo cancelou o debate presidencial depois de decisões do TSE e do STF sobre as regras do encontro. Foto: Pexels / SHAHBAZ ZAMAN

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgaram nota nesta quinta-feira (1º) em que manifestam "profunda indignação" com a interferência do Judiciário no debate presidencial da TV Globo. Segundo a CNN Brasil, as entidades ligam as decisões do TSE e do STF ao cancelamento do encontro.

A Gazeta do Povo informa que a Globo cancelou o debate por causa do impasse criado pelas decisões judiciais e da desistência de Flávio Bolsonaro. A votação do primeiro turno é no domingo, 4 de outubro.

Três decisões no centro da nota

A nota cita três atos. A ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu a exibição de um púlpito vazio com a identificação de Lula e perguntas dirigidas ao presidente ausente. De acordo com a CNN Brasil, a decisão invalidou regras pactuadas antes entre a emissora e os partidos.

O ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a inclusão do candidato Renan Santos (Missão) no debate. O presidente do TSE, Nunes Marques, por sua vez, alterou a metodologia usada pelo tribunal para contar parlamentares e concluiu que Romeu Zema (Novo) tinha direito a participar, segundo a CNN Brasil.

O argumento das entidades

Para Abert, ANER e ANJ, as decisões forçaram a condução do debate em desrespeito a regras acordadas meses antes. A nota classifica o episódio como agressão à liberdade de imprensa e afirma que a interferência impõe obrigações sem previsão em lei a uma emissora privada.

As entidades também dizem que os excessos judiciais atropelaram o direito dos eleitores de conhecer as propostas de candidatos que já haviam aceitado os convites. Na leitura delas, o prejuízo final recai sobre quem vota, e não só sobre a emissora.

Quem perde com o debate cancelado

O efeito prático é a ausência, a três dias da eleição, do último grande encontro televisivo entre os presidenciáveis. Eleitores indecisos ficam sem comparar os candidatos lado a lado, e a disputa sobre quem pode falar, e em que condições, passa a ser julgada no TSE e no STF em vez de ser resolvida entre emissora e campanhas.

Para as emissoras, a nota abre um precedente em discussão: até onde a Justiça Eleitoral pode alterar regras de um debate promovido por empresa privada. As decisões de Estela Aranha, Gilmar Mendes e Nunes Marques valem para este pleito e já são citadas pelo setor como referência para os próximos.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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