A Accor usa uma ferramenta de inteligência artificial para varrer 1.209 municípios brasileiros e apontar onde vale a pena abrir novos hotéis, segundo reportagem da Exame publicada neste domingo (18). A lista inicial tem dez cidades: Macapá (AP), Anápolis (GO), Bauru (SP), Marabá (PA), Franca (SP), Três Lagoas (MS), Linhares (ES), Ipatinga (MG), Cachoeiro de Itapemirim (ES) e Lages (SC).
O instrumento se chama Índice de Desenvolvimento Accor Brasil, o IDAB. Cada município recebe até 1.000 pontos, calculados a partir de dez critérios. Entram na conta população, PIB, peso do setor de serviços, movimento de aeroportos, presença de universidades, hospitais e shopping centers, além do potencial turístico.
O que o índice mede e o que não promete
A própria Accor trata o resultado como triagem. Segundo a Exame, estar entre as dez primeiras não significa que a empresa decidiu construir nessas cidades, nem define qual marca seria instalada. Só depois do filtro a rede estuda o perfil dos viajantes, a concorrência, a oferta hoteleira existente e a localização do terreno.
O índice também tem um recorte de portfólio. Ele cobre a divisão Premium, Midscale & Economy, que reúne marcas como ibis, ibis Styles, ibis budget, Novotel, Mercure, Tribe, Adagio, Pullman, Grand Mercure e Swissôtel. O segmento de Luxo & Lifestyle, onde estão Fairmont, MGallery, Faena e Mama Shelter, fica de fora.
Abel Castro, chief development officer da Accor Américas, afirmou à Exame que o IDAB cria uma base técnica para identificar mercados com potencial. A reportagem informa que o instrumento já ajudou a orientar projetos em construção em Santarém (PA), Luís Eduardo Magalhães (BA) e Araxá (MG).
O peso do Brasil na operação
A Accor tem cerca de 320 hotéis no Brasil, dentro de uma rede com mais de 5,8 mil unidades em mais de 110 países. Na divisão Premium, Midscale & Economy das Américas, são cerca de 450 hotéis. O Brasil responde por 56% da receita de quartos da região, de acordo com os números citados pela Exame.
A reportagem também registra que, no primeiro semestre de 2026, as Américas tiveram alta de 4,8% no RevPAR, indicador que mede a receita por quarto disponível. Em Mato Grosso, o número de contratos hoteleiros da rede passou de 3 para 14 em cinco anos.
Quem ganha com a seleção por dados
Para as cidades da lista, o efeito imediato é de visibilidade: um município de porte médio como Bauru ou Anápolis passa a aparecer em uma planilha de expansão de uma rede global. Se o projeto avançar, a consequência prática é a chegada de investimento de proprietários e incorporadores, que costumam ser quem financia a obra dos hotéis de marcas como a ibis.
Para o setor, o movimento mostra o interior e as cidades de médio porte como alvo de crescimento, com decisões apoiadas em dados públicos de economia e infraestrutura. A Accor não informou, na reportagem, prazos, número de hotéis nem valores de investimento para as dez cidades.



