Agentes de inteligência artificial que compram em nome do consumidor poderão movimentar até US$ 6,2 trilhões em vendas até 2030, de acordo com projeção da consultoria Bain & Company citada pela Exame nesta segunda-feira (19). O número se refere ao volume de vendas, e não à receita das empresas de IA ou de pagamentos.
A mudança que interessa aos bancos está num detalhe da compra: quem decide qual cartão será usado. Hoje a escolha é do cliente. Com um agente autorizado a buscar o produto e fechar o pedido, o próprio sistema poderá comparar as formas de pagamento disponíveis e ficar com a que melhor se encaixa nas regras definidas pelo consumidor.
Como o agente escolhe o cartão
Segundo a Exame, o agente pode pesar custo da transação, velocidade e programas de recompensa. O resultado depende de quem configurou o objetivo. Um comprador que quer maximizar pontos tende a acabar com um cartão diferente do que seria escolhido por um lojista que quer reduzir a tarifa que paga.
A reportagem distingue duas situações. Pedir a uma IA que compare preços mantém a decisão e o pagamento nas mãos da pessoa. Deixar o sistema concluir o pedido exige definir o que ele pode comprar, quanto pode gastar e em que momento deve pedir confirmação. Esses limites passam a ser parte do produto financeiro.
O papel que os bancos querem ocupar
Luiza Cerri, sócia da Bain & Company, afirmou que o setor financeiro não deve apenas acompanhar a tecnologia, mas liderar a criação da infraestrutura de confiança e segurança que validará cada transação executada por algoritmo. Segundo ela, isso inclui monetizar a verificação de identidade e os protocolos de segurança, além de usar dados próprios para reforçar a proteção contra fraude em compras autônomas.
Na prática, os bancos poderiam vender serviços para reconhecer agentes, confirmar que estão autorizados e proteger a operação, mesmo quando o cliente conversa com uma plataforma de terceiros. A receita viria da checagem, e não necessariamente da relação direta com o consumidor naquele momento.
O movimento já tem iniciativas concretas. Em setembro, Visa, Mastercard e Ant International anunciaram uma colaboração para verificar a identidade de agentes de IA e vinculá-los a entidades responsáveis. Em março, o Banco do Brasil e a Visa concluíram uma transação iniciada por um agente em ambiente de produção controlado, com cartão habilitado para a operação. O teste usou a plataforma Visa Intelligent Commerce e credenciais tokenizadas, que substituem os dados sensíveis do cartão.
O que ainda depende do consumidor
A própria Exame ressalva que os US$ 6,2 trilhões são uma projeção de expansão futura. O volume depende da adesão dos consumidores e da integração entre agentes, lojistas e instituições financeiras. Para o cliente brasileiro, a consequência imediata é de configuração: antes de liberar um agente para pagar, será preciso definir limite de gasto, categorias permitidas e o ponto em que a compra exige um aval humano.



