Empresas de bancos, finanças e farmacêutica já colocam agentes de inteligência artificial para executar tarefas ao lado das equipes, segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (8) pelo InfoMoney. Entre os exemplos está a Tecban, responsável pelo Banco24Horas, que em maio de 2026 contabilizava cerca de 80 agentes e 98 casos de uso registrados.
A diferença em relação aos assistentes está no modo de operar. Um assistente espera um comando para agir. O agente recebe uma tarefa e segue as etapas necessárias para cumpri-la, dentro dos acessos e dos limites que a empresa define.
O que a Tecban já colocou para rodar
Na Tecban, um dos agentes auxilia no gerenciamento de incidentes de tecnologia. Outros consultam documentos internos para responder a dúvidas dos funcionários. De acordo com a Microsoft, as soluções somaram mais de 12,6 mil horas de assistência aos profissionais da empresa.
Marcio Mazza, diretor de Tecnologia e Digital da Tecban, afirmou que os planos da companhia preveem ao menos um agente por equipe. Se a meta se confirmar, o número de agentes hoje contabilizado tende a crescer, já que ele se refere ao estágio de maio.
Contratos, código e moléculas fora do país
A americana Pronto Housing, de tecnologia para o setor habitacional, usa um agente chamado Alice. Ele marca reuniões, acompanha pendências, redige contratos e escreve código. A CEO, Christine Wendell, contou a experiência à revista Wired e disse que decisões e revisões continuam com os funcionários.
Na Johnson & Johnson, agentes analisam variáveis da síntese química para apontar o melhor momento de trocar solventes. Essa etapa costuma exigir muitas análises dos pesquisadores. Jim Swanson, diretor de informação da empresa, detalhou o uso ao The Wall Street Journal. Em setembro de 2026, a companhia buscava profissionais para desenvolver fluxos de trabalho com IA agêntica na pesquisa de medicamentos.
A Moody's criou o Project Guardian, que reúne 35 agentes especializados. Cada um assume uma parte da análise financeira, como pesquisa de empresas e setores e exame de documentos. Os resultados servem de apoio aos analistas humanos, segundo Nick Reed, diretor de produtos da Moody's, também em entrevista ao Wall Street Journal.
O limite que as empresas mantêm
Nos casos relatados, os agentes executam etapas e o julgamento final fica com pessoas. Na Pronto Housing, os funcionários decidem e revisam. Na Moody's, os agentes sustentam o trabalho dos analistas. Na Tecban, cada agente age somente dentro dos acessos que a empresa liberou.
A reportagem não traz números de economia de custo ou de retorno financeiro. O único indicador de volume citado é o da Tecban: as 12,6 mil horas de assistência, medidas pela Microsoft. Para o gestor que avalia adotar a tecnologia, os exemplos mostram onde as grandes empresas começaram: incidentes, consulta a documentos, redação de contratos e análise de dados, sempre com revisão humana.



