quinta-feira, 22 de outubro de 2026 · Edição diária

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Anthropic mantém IPO para novembro enquanto 6 empresas de IA adiam ou cancelam estreia na bolsa

A dona do Claude planeja abrir o capital em meados de novembro, com prospecto no fim de outubro e avaliação de até US$ 1,5 trilhão segundo alguns investidores, enquanto Switch, Nscale, SB Energy e outras recuam.

Operadores acompanham telas de cotações em uma bolsa de valores
A oferta da Anthropic é vista como teste do apetite dos investidores por inteligência artificial depois da liquidação de ações do setor. Foto: Pexels / Rafael Minguet Delgado

A Anthropic, dona do assistente Claude, mantém o plano de abrir o capital em meados de novembro, de acordo com informações da Reuters publicadas nesta quinta-feira (22) pelo InfoMoney. A decisão contrasta com a de ao menos seis empresas ligadas à infraestrutura de IA que adiaram, suspenderam ou abandonaram suas estreias na bolsa nas últimas semanas.

Segundo fontes ouvidas pela agência, o prospecto da oferta deve ser divulgado no fim de outubro. O mercado espera que as apresentações a potenciais investidores comecem na semana de 9 de novembro. Cronograma e detalhes ainda podem mudar. A Anthropic se recusou a comentar.

Avaliação de até US$ 1,5 trilhão

Alguns investidores acreditam que a empresa pode ser avaliada em até US$ 1,5 trilhão, segundo a Reuters. O número é uma expectativa de mercado e não um preço definido: a faixa de preço só aparece no prospecto.

A oferta passa a ser lida como um teste do apetite por IA em um momento ruim para o setor. A agência atribui parte da liquidação recente ao aumento dos juros, que encarece o capital de empresas que queimam caixa para construir data centers e treinar modelos.

Quem recuou antes da Anthropic

A Switch, operadora de data centers, e a Nscale, de infraestrutura para IA, adiaram suas ofertas para o fim deste ano. A SB Energy, apoiada pelo SoftBank, também adiou a estreia. A Elice, startup sul-coreana de chips para IA, abandonou os planos.

Entre as ofertas canceladas ou suspensas estão a da AirTrunk REIT, apoiada pela Blackstone, e a da Firmus, apoiada pela Nvidia. A CoreWeave aparece na reportagem como uma das empresas do setor afetadas pela forte venda de ações e de títulos de dívida.

Além dos juros, a Reuters cita como fontes de preocupação a concorrência de modelos de código aberto, questões de segurança em IA e a sustentabilidade dos investimentos no setor. Uma das fontes da agência disse que o recente IPO da Oura atraiu participação limitada de investidores focados em posições compradas, o que levanta dúvidas sobre a demanda institucional.

O que a oferta decide para o setor

Para as empresas que adiaram, o resultado da Anthropic funciona como referência de preço e de demanda. Uma oferta bem recebida pode reabrir a janela para as estreias previstas para o fim do ano. Uma recepção fraca tende a prolongar os adiamentos e a encarecer a captação de quem depende de data centers e chips.

Para o investidor brasileiro, o efeito chega por duas vias: os fundos e BDRs com exposição a IA, que oscilaram com a liquidação, e a cotação de empresas listadas que fornecem a infraestrutura da qual a Anthropic depende. O prospecto de fim de outubro deve mostrar receita, prejuízo e compromissos de gastos, números que o mercado usará para decidir se a avaliação de US$ 1,5 trilhão se sustenta.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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