A Anthropic atualizou sua política de uso para vetar o abuso persistente contra o Claude, e as novas regras entram em vigor em 12 de novembro. De acordo com a Fast Company Brasil, citada pela Exame nesta quarta-feira (21), a mudança foi anunciada em 8 de outubro.
O texto mira o que a empresa descreve como comportamento abusivo ou cruel, sustentado e sem necessidade. Pelo relato da Exame, a regra vale para casos extremos, em que a crueldade se repete sem finalidade identificável.
O que continua permitido e o que a Anthropic pode fazer
Segundo a empresa, seguem liberadas a frustração comum, as críticas ao modelo, os temas criativos sombrios e os testes ou pesquisas com o Claude. Reclamar de uma resposta errada, portanto, não gera punição.
Em caso de violação, a política permite à Anthropic advertir, limitar, suspender ou encerrar o acesso. A Exame informa que a empresa não detalhou todos os comportamentos que considera abusivos.
Desde agosto de 2025, alguns modelos já podem encerrar a conversa no Claude.ai e no Claude Code quando o usuário insiste no abuso depois de tentativas de redirecionamento. O chat encerrado não recebe novas mensagens, mas as demais conversas continuam ativas e o usuário pode abrir uma nova.
A atualização também mexe em outros pontos que valem para todos os usuários: reforça a proibição de campanhas enganosas em eleições, detalha as restrições ao desenvolvimento de armas, veta o rastreamento de pessoas sem consentimento e exige supervisão humana qualificada em aplicações de alto risco em saúde, direitos e finanças. A Anthropic relaciona a regra contra o abuso a pesquisas sobre bem-estar de modelos, mas, de acordo com a matéria, o texto da política não afirma que o Claude possa sofrer.
Três estudos, três respostas sobre o tom do comando
A Exame reúne pesquisas sobre o efeito da educação na qualidade das respostas. Um trabalho da Universidade Waseda, de Tóquio, testou seis modelos em inglês, japonês e chinês. Os autores concluíram que comandos rudes podem produzir mais erros, vieses e omissões, que a polidez moderada teve em média os melhores resultados e que o excesso de elogios não trouxe ganho.
Um estudo de dezembro de 2025 avaliou GPT-4o mini, Gemini 2.0 Flash e Llama 4 Scout. Comandos neutros ou amigáveis geralmente superaram os muito rudes, mas a diferença estatística apareceu apenas em parte das tarefas de humanidades, e o Gemini variou pouco com o tom.
Um terceiro levantamento, com o GPT-4o, apontou o inverso: a precisão subiu de 80,8% com comandos educados para 84,8% com comandos rudes. A Exame atribui o dado ao mesmo link do estudo de dezembro, o que deixa incerta a origem do número. A conclusão da própria matéria é que os resultados não são unânimes.
O que muda na rotina de quem usa o Claude no trabalho
Para o usuário comum, a regra tem efeito prático limitado: críticas diretas continuam valendo, e a Exame lembra que elas ajudam a orientar o modelo com mais precisão. O que a matéria recomenda é trocar a irritação por instruções com objetivo, contexto e formato esperado, como pedir que o resumo de um contrato saia em cinco tópicos, com prazos e multas em destaque.
Quem usa o Claude em empresas deve rever, até 12 de novembro, os termos que valem para todos os usuários, em especial a exigência de supervisão humana qualificada em aplicações de saúde, direitos e finanças.



