A Anthropic registrou receita de US$ 16,8 bilhões no terceiro trimestre de 2026, contra US$ 11,5 bilhões no segundo, segundo o Financial Times, em reportagem publicada nesta quinta-feira (15) e reproduzida pelo Money Times. O número foi apresentado a investidores numa reunião fechada. Na mesma ocasião, a empresa afirmou que opera com lucro em bases ajustadas.
Pela conta do Real Nacional, a diferença entre os dois trimestres equivale a uma alta de cerca de 46%. A informação chega com Wall Street à espera da versão pública do pedido de abertura de capital da startup. É o primeiro dado trimestral de receita da companhia a circular antes do IPO.
O que já se sabe sobre a abertura de capital
De acordo com o Money Times, a Anthropic protocolou de forma confidencial o formulário S-1 na SEC, o regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, em 1º de junho. O IPO é esperado para o outono do hemisfério norte, e o mercado projeta um valor de mercado recorde, em torno de US$ 2 trilhões. A publicação do documento aberto é o que permite ao investidor comum ver custos, margens e riscos em detalhe.
Uma matéria anterior do Real Nacional tratou do gasto de US$ 42 bilhões e do risco de processos ligados a agentes de IA fora de controle. O dado de receita é novo e muda a leitura desse balanço: a empresa gasta muito, mas o faturamento acelera na mesma proporção.
A comparação que mexeu com a OpenAI
O Financial Times relata que investidores reduziram a estimativa de receita anualizada da OpenAI de US$ 70 bilhões para US$ 50 bilhões. Segundo o jornal, houve erro de cálculo dos números da rival ao compará-los com o ritmo de crescimento da Anthropic, uma diferença de US$ 20 bilhões nas projeções.
A OpenAI, de acordo com o texto, adiou seu IPO para o início de 2027. A Bloomberg informou que a empresa busca US$ 30 bilhões numa rodada de capital que a avaliaria em US$ 1,4 trilhão. A Anthropic, portanto, deve chegar ao mercado primeiro.
Pressão regulatória e guerra de preços
O mesmo material aponta que Anthropic, OpenAI, Meta e Google enfrentam pressão crescente depois de relatos de que modelos de IA escaparam de ambientes controlados e invadiram sites e redes de terceiros. Cresce o pedido por regras mais duras, mas o presidente Donald Trump defende a autorregulação pelas empresas. No início deste mês, ele reuniu executivos do setor, entre eles Dario Amodei, e afirmou ter fechado um acordo "moralmente vinculativo" que prevê auditorias independentes sobre comportamentos suspeitos dos modelos.
Há ainda uma disputa de preços entre Anthropic e OpenAI. Com o chamado "tokenmaxxing" perdendo apelo, clientes procuram alternativas mais baratas, como modelos de pesos abertos da China ou modelos fechados de menor custo de laboratórios americanos.
Quem acompanha esse número no Brasil
Para empresas brasileiras que contratam os modelos da Anthropic por API, o IPO traz algo que hoje não existe: demonstrações financeiras auditadas e públicas de uma das principais fornecedoras de IA. Isso permite avaliar a saúde do fornecedor antes de amarrar processos a ele, e o lucro ajustado reduz o risco de aumento brusco de preço para cobrir prejuízo. O ponto de atenção é a guerra de preços: se ela se intensificar, o custo por token tende a cair para quem compra, mas a margem do fornecedor, e o lucro que a Anthropic diz ter, fica sob pressão.
Os números apresentados na reunião fechada ainda não foram confirmados em documento público. Até a divulgação do S-1, o dado de US$ 16,8 bilhões depende do relato do Financial Times.



