O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 738 denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho até 30 de setembro, a três dias do primeiro turno das eleições de 2026, segundo levantamento divulgado pelo g1 nesta quinta-feira (1º). Até agosto, o órgão tinha 223 registros. A alta é de 231% em um mês.
O total ainda fica longe do que o MPT contabilizou em 2022, quando passou de 3,3 mil denúncias. Naquela eleição, o número havia crescido 1.600% em relação a 2018, de acordo com a mesma reportagem. Em 2026, a curva sobe nas semanas finais da campanha, e o órgão ainda recebe queixas até a votação.
Onde as denúncias se concentram
São Paulo lidera, com 109 denúncias, segundo a CBN Recife, que detalhou o ranking do MPT. Minas Gerais aparece com 89 e o Rio de Janeiro, com 83. Pernambuco ocupa o 11º lugar, com 28.
Os três estados do topo também são os de maior eleitorado e de maior número de empregados com carteira assinada, o que ajuda a explicar a ordem. O levantamento não informa quantas denúncias viraram procedimento formal, nem em que setores da economia elas se concentram.
O que a lei trata como assédio
O MPT classifica como assédio eleitoral o uso da relação de trabalho para pressionar ou influenciar a escolha política de um funcionário. Entram nessa definição ameaça de demissão, promessa de benefício em troca de voto, cobrança sobre em quem o empregado vai votar e exigência de participar de campanha.
A regra vale também para o ambiente virtual. Mensagens em grupos de WhatsApp da empresa, e-mails corporativos e redes sociais podem servir de prova. O Tribunal Superior Eleitoral proíbe propaganda e assédio eleitoral nos locais de trabalho.
No campo criminal, as publicações citam prisão, multa e perda do direito de concorrer por prazo determinado, sem detalhar as durações. Na esfera trabalhista, a empresa pode responder por indenização por danos morais, ação civil pública e termo de ajustamento de conduta.
Como denunciar e o que levar como prova
O trabalhador pode procurar o MPT pelo site ou pelo aplicativo Pardal MPT, inclusive de forma anônima ou com pedido de sigilo. Mensagens, e-mails, áudios e fotos ajudam a sustentar a denúncia. A Central Alô Trabalho, no número 158, atende de segunda a sábado, das 7h às 22h, e o Disque 100 funciona 24 horas.
Sindicatos, centrais sindicais, os Tribunais Regionais do Trabalho e o Ministério Público Eleitoral também recebem relatos. Para a empresa, o risco vai além da multa: uma denúncia com prova em grupo de mensagens expõe o nome da companhia antes mesmo de qualquer decisão judicial.



