A Exame publicou em 9 de outubro um método para medir se a assinatura de uma ferramenta de inteligência artificial compensa para quem trabalha com ela. O texto, assinado pela jornalista Bianca Bezerra Pinto, parte de uma constatação: muitos profissionais pagam por mais de uma ferramenta sem saber se o gasto devolve algum resultado.
Segundo a Exame, um plano individual costuma custar algumas dezenas de dólares por mês. O custo, porém, é só uma parte da conta. O método cruza o preço da assinatura com horas poupadas, tempo gasto corrigindo o que a máquina entrega, custo de implantação e efeito sobre a qualidade.
A fórmula do ganho líquido
O ganho bruto é o número de horas poupadas multiplicado pelo valor da hora do usuário. Com R$ 60 por hora e 5 horas economizadas no mês, o resultado é R$ 300. O ganho líquido desconta do tempo poupado as horas de revisão e subtrai a assinatura e o custo de implantação.
O exemplo do texto é o de um analista de marketing. A assinatura custa R$ 110 por mês. Ele poupa 8 horas, mas gasta 3 revisando, o que deixa 5 horas líquidas. A R$ 50 por hora, são R$ 250; descontada a assinatura, sobram R$ 140. O treinamento inicial, de R$ 100 em horas de trabalho, é diluído em 12 meses e pesa cerca de R$ 8 por mês. O saldo final fica em aproximadamente R$ 132.
Quatro itens que entram na conta
O primeiro é a assinatura e as licenças: o plano principal, extensões pagas e licenças extras para a equipe. Em empresas, a Exame recomenda checar se há cobrança por volume de uso. O segundo é o tempo poupado menos a revisão humana. O terceiro é a implantação, que inclui treinamento, criação de modelos de instrução, integração com sistemas e ajustes de segurança, normalmente diluídos em 12 meses.
O quarto item é a qualidade. A Exame cita um estudo do NBER, feito por pesquisadores de Stanford e do MIT com atendentes de suporte ao cliente, em que a produtividade subiu 14% em média, com efeito maior entre os menos experientes. Cita também um estudo de 2025 da METR em que desenvolvedores experientes demoraram mais com a ajuda da IA do que sem ela, em parte pelo esforço de revisar o que foi gerado.
Um experimento da Harvard Business School com consultores da BCG, também citado no texto, mostrou ganho visível de qualidade em tarefas adequadas à IA. Numa tarefa fora do alcance da ferramenta, quem usou IA errou mais que o grupo sem ela. A sugestão é medir erros, retrabalho e satisfação do cliente. A reportagem informa que os números dos estudos são os apresentados pelo texto, e não foram checados aqui nos originais.
Como testar antes de renovar
A Exame propõe um teste de 30 dias. O profissional cronometra tarefas com e sem a ferramenta, registra o tempo de revisão e compara a qualidade, de preferência com a avaliação de um colega ou gestor. Se o ganho líquido for positivo e a qualidade se mantiver ou melhorar, a assinatura se justifica.
Se o saldo for baixo, as opções são trocar de plano, restringir o uso às tarefas com ganho comprovado ou cancelar. O teste deve ser repetido a cada renovação, já que planos, preços e hábitos de uso mudam. O texto traz ainda uma divulgação patrocinada do curso Pré-MBA em IA, da Saint Paul com a Exame, com quatro aulas online por R$ 37.



