A Meta divulga nesta quarta-feira (21), depois do fechamento do mercado em Nova York, o balanço do terceiro trimestre. Segundo levantamento da Exame com dados da Bloomberg, o consenso aponta receita de US$ 63,3 bilhões e lucro por ação de US$ 3,56. Um ano antes, o lucro ajustado por ação foi de US$ 7,25, o que implica queda de cerca de 51%.
A diferença entre receita em alta e lucro em queda vem de uma despesa jurídica que não estava nas projeções anteriores da empresa. A teleconferência com analistas está marcada para as 17h30, no horário de Brasília.
O acordo que corta o lucro
Em 26 de agosto, a Meta fechou acordo com procuradores-gerais de 29 estados americanos, em ação que caminhava para julgamento na Justiça federal de Oakland, na Califórnia. A empresa pagará até US$ 16,68 bilhões aos estados, sem admitir irregularidade. Somando outros acordos, a Exame estima o total em cerca de US$ 18 bilhões em dez anos: US$ 12,7 bilhões garantidos e cerca de US$ 5,3 bilhões condicionados a que YouTube e TikTok adotem restrições parecidas.
Os termos incluem limites diários de uso e bloqueio noturno para adolescentes, além de verificação de idade mais rigorosa. A Meta disse que reconheceria cerca de US$ 10 bilhões em despesa jurídica no trimestre. No segundo trimestre, as despesas do tipo foram de US$ 2,4 bilhões.
O efeito aparece de forma desigual nas estimativas. O Bank of America projeta lucro de US$ 3,79 por ação e o Bernstein, US$ 3,95, ambos já com a provisão. Outras projeções, entre US$ 5,89 e US$ 6,54, vêm de analistas que não a incluíram. O Bernstein calcula Ebit de US$ 11,3 bilhões, contra média de mercado de US$ 19 bilhões.
Receita sobe, e o Muse entra pela metade
A empresa projetou receita entre US$ 61 bilhões e US$ 64 bilhões, já descontado efeito cambial negativo de cerca de 1%. O consenso fica perto do topo da faixa. A Meta superou as estimativas da LSEG nos 12 trimestres entre o terceiro de 2023 e o segundo de 2026. Nos dois primeiros trimestres deste ano, a receita foi de US$ 56,3 bilhões e US$ 60,8 bilhões.
O agente de IA Muse, lançado em 8 de setembro, contribui com apenas três semanas do trimestre. Há plano gratuito e planos pagos de US$ 20 e US$ 100 por mês, e o app passou de 10 milhões de downloads nos Estados Unidos em 40 dias, segundo a Sensor Tower. O Bernstein deixou a monetização fora do cenário-base e espera contribuição visível só em 2027, enquanto custos de marketing e de nuvem do produto pressionam o lucro agora.
O número de 2027 que move a cadeia da IA
Para o mercado, o dado central é o investimento em infraestrutura. A Visible Alpha projeta gasto de capital de US$ 41,68 bilhões no trimestre, mais que o dobro do registrado um ano antes. A previsão da empresa para 2026 é de US$ 130 bilhões a US$ 145 bilhões, e o Bank of America espera que a faixa seja estreitada para US$ 140 bilhões a US$ 145 bilhões. Para 2027, o consenso é de cerca de US$ 193 bilhões, com o Bank of America em US$ 205 bilhões e o JPMorgan em US$ 243 bilhões, alta de 70% sobre 2026.
O caixa já sente o peso. No segundo trimestre, o fluxo operacional foi de US$ 31,86 bilhões e o capex, de US$ 31,08 bilhões, o que deixou geração de caixa livre de apenas US$ 784 milhões. O JPMorgan projeta caixa livre negativo de US$ 65 bilhões a US$ 70 bilhões em 2027 e em 2028. O Morgan Stanley estima que depreciação e amortização subam de cerca de US$ 31,5 bilhões em 2026 para US$ 59 bilhões em 2027.
Os fornecedores dependem da resposta. A Meta tem cerca de US$ 47 bilhões em contratos com CoreWeave e Nebius, além de garantia condicional de US$ 15 bilhões à Nebius, e a Nvidia aparece por meio do Prometheus, supercomputador da empresa em Ohio. Segundo a CMS Investments, um capex de 2027 abaixo de US$ 185 bilhões, ou a ausência de projeção, aliviaria as ações da Meta, mas atingiria CoreWeave, Nebius, semicondutores e energia. Algo entre US$ 190 bilhões e US$ 205 bilhões ficaria em linha. O Evercore ISI espera metas acima do consenso e vê corte de estimativas de lucro para 2027 como provável. As ações da Meta sobem cerca de 37% desde o balanço de julho.



