A Meta divulga na quarta-feira (21) os resultados do terceiro trimestre, e o mercado vai olhar menos para a receita e mais para quanto a empresa gastou em inteligência artificial, segundo a CNN Brasil. A companhia de Mark Zuckerberg precisa mostrar que investimentos de centenas de bilhões de dólares em infraestrutura vão sustentar o crescimento futuro.
O que os analistas esperam do trimestre
O consenso compilado pela LSEG projeta lucro líquido de cerca de US$ 15,44 bilhões, queda aproximada de 17%. A receita deve somar US$ 63,42 bilhões, avanço de 23,8%. O ritmo seria menor que o de cerca de 28% do trimestre anterior, em um período de concorrência forte de Google e TikTok na publicidade digital.
O gasto de capital é o número que mais pesa. De acordo com a Visible Alpha, os investimentos em ativos mais que dobraram e chegaram a US$ 41,68 bilhões no trimestre encerrado em setembro. Os analistas também esperam queima de caixa de US$ 8,52 bilhões, depois de o fluxo de caixa livre já ter sido pressionado pelos gastos no segundo trimestre.
Muse e a busca por receita fora da publicidade
A aposta de Zuckerberg está no Muse, assistente pessoal de IA lançado pela empresa, e em produtos de IA voltados a companhias. Segundo a CNN Brasil, o executivo quer uma fonte de receita além dos anúncios e disputa esse mercado com OpenAI e Anthropic.
A recepção ao Muse e aos modelos mais recentes melhorou a confiança dos investidores. O BofA Global Research avaliou que os lançamentos reforçaram a percepção de que a Meta executa bem sua estratégia de IA, e a pesquisa do banco indica demanda saudável por anúncios no trimestre. O Morgan Stanley elevou as estimativas de lucro para 2027 e 2028, citando receita publicitária mais forte e o potencial de novos produtos de IA.
O mercado ainda não premiou a empresa na mesma medida. As ações da Meta sobem cerca de 7% no ano, abaixo dos aproximadamente 12% do S&P 500.
Quem pagará a conta do investimento
A equação que o balanço vai testar é a da margem. A receita cresce a um ritmo menor, o lucro recua e o caixa já registra queima, enquanto o capex segue em patamar que dobrou. Para sustentar esse nível de gasto, a Meta depende de que a publicidade continue forte e de que o Muse e os produtos corporativos gerem receita nova antes que o fluxo de caixa se deteriore mais.
Para o investidor, a leitura da quarta-feira passa por três linhas do relatório: o capex projetado para os próximos períodos, a trajetória do fluxo de caixa livre e qualquer número de adoção do Muse. Um capex maior sem sinal de receita nova tende a reforçar as dúvidas sobre o retorno do ciclo de IA. Números de uso do assistente e de clientes corporativos dariam base para a tese de que o gasto de hoje se paga.



