A BARCA, grupo de clubes de assinatura de livros e produtos culturais, projeta faturar mais de R$ 70 milhões em 2026, seu primeiro ano como grupo, segundo reportagem da Exame publicada nesta terça-feira (20). O fundador e CEO, Lorenzo Fioreze, de 32 anos, formado em filosofia pela UFRGS, afirma que a receita mensal chegou a R$ 8 milhões em setembro, o maior valor da empresa até agora.
O grupo reúne 13 clubes e cerca de 65 mil assinantes. Tem mais de 140 funcionários em Porto Alegre, Gravataí, Dois Irmãos (RS) e Belo Horizonte (MG). A aposta é no papel: o negócio cresce justamente num momento em que a IA é apontada como ameaça a mercados de conteúdo.
Do estágio ao grupo de 13 clubes
Fioreze entrou em 2021 como estagiário no Clube de Literatura Clássica e depois virou sócio, depois de tomar um empréstimo de R$ 300 mil. Segundo a Exame, o clube registrou R$ 28 milhões em 2025 e projeta R$ 30 milhões em 2026, com cerca de 28 mil assinantes. Ele vendeu sua participação em 2025.
Em 2023, com o designer Vicente Pessôa, hoje diretor criativo da BARCA, lançou o Cartas do Mundo, que chegou a aproximadamente 3 mil assinantes. A editora de filosofia Logos veio em dezembro de 2024 e arrecadou R$ 300 mil nos dois primeiros meses. O capital inicial somou cerca de R$ 2 milhões, somando recursos próprios, investidores-anjo e sócios. Só R$ 600 mil vieram da venda de um apartamento da família.
Estrutura compartilhada e assinatura longa
Os clubes dividem tecnologia, marketing, logística e distribuição. A impressão e a entrega final são terceirizadas. A empresa dá prioridade a planos anuais e de três anos, que seguram a receita por mais tempo.
O custo médio para conquistar um cliente é de cerca de R$ 200, e o retorno líquido costuma aparecer entre o quarto e o quinto mês de assinatura, de acordo com a reportagem. Para ganhar escala, Fioreze vende outros clubes do grupo à base que já paga por algum deles.
A IA entra no desenho, na revisão editorial e no marketing, sempre com supervisão de especialistas. Fioreze resume o uso dizendo que a empresa emprega a IA para criar coisas físicas. Ele também descreve a meta de transformar a BARCA em um YouTube físico e compara o modelo à Hotmart, plataforma de cursos online, dizendo que quer fazer algo parecido para produtos físicos.
Estados Unidos, revista e meios de pagamento
A expansão externa começou no fim de 2025 com a Logos Publishing, nos Estados Unidos. A BARCA contratou um editor americano por cerca de R$ 40 mil mensais, e o primeiro lançamento vendeu aproximadamente mil exemplares avulsos. Em 2026 veio o Timeless Book Club, de clássicos em inglês.
Para 2027, o grupo planeja mais três selos nos EUA, ao menos dois projetos na Europa e na Argentina, e estuda a Espanha. No Brasil, entram na fila o Brutal Brasil, clube de vinil de metal brasileiro, uma assinatura de música clássica e clubes de livros de arte.
A revista trimestral, lançada em setembro e comandada por Martina Schneider, ganhou quase 300 assinantes em menos de uma semana e serve também para dar visibilidade à marca. Há ainda o BARCA Pay, sistema próprio de pagamentos que a empresa pretende oferecer a outros empreendedores.
O que está em jogo para a empresa
Os números de receita e assinantes são projeções e declarações do próprio fundador, reportadas pela Exame, sem auditoria independente citada. O teste da BARCA em 2027 será provar que a fórmula de clubes com assinatura longa funciona fora do Brasil, onde o grupo ainda depende de um primeiro lançamento de mil exemplares e de uma operação de poucos meses.



