segunda-feira, 12 de outubro de 2026 · Edição diária

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Lula quer ampliar o Bolsa Família e Flávio atrela benefício a emprego a 13 dias da eleição

Petista defende manter e ampliar o programa, com a insegurança alimentar severa em 0,6% da população, a menor taxa da série da ONU; candidato do PL quer vincular o benefício à qualificação e ao primeiro emprego.

Família de baixa renda representando beneficiários de programas sociais no Brasil
O Bolsa Família é um dos temas centrais do debate entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno. Foto: Pexels

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentam planos diferentes para o Bolsa Família e os demais programas de transferência de renda a 13 dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, segundo comparação dos planos de governo dos dois candidatos feita pela Exame neste domingo (12).

O plano do petista defende manter, aperfeiçoar e ampliar as políticas de proteção social em vigor, com destaque para os benefícios pagos a crianças e adolescentes dentro do Bolsa Família. O documento também propõe a continuidade do Minha Casa, Minha Vida com foco nas famílias de menor renda e liga a transferência de renda a ações de segurança alimentar.

Para sustentar essa linha, o plano de Lula cita dado atribuído à Organização das Nações Unidas segundo o qual a insegurança alimentar severa atingiu 0,6% da população brasileira no triênio de 2023 a 2025, o menor índice da série histórica medida pelo órgão. O texto também informa que um milhão de moradias já foram quitadas para beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) durante o mandato atual.

Como Flávio quer vincular o benefício ao trabalho

O plano de governo de Flávio Bolsonaro trata os programas sociais como etapa de transição para a autonomia econômica das famílias, não como política permanente. A proposta é manter os programas existentes, mas condicionar seu aprimoramento a mudanças de gestão e ao combate a fraudes.

Entre as medidas descritas no documento está o retorno imediato ao benefício para quem passa a receber seguro-desemprego, sem perda da elegibilidade. O plano também prevê contratos de custo menor para jovens de 18 a 24 anos no primeiro emprego e regras específicas de reinserção para desempregados com 50 anos ou mais.

O documento de Flávio não cita nominalmente o Bolsa Família na seção sobre proteção social nem apresenta valor de benefício ou número de famílias atendidas, segundo o comparativo da Exame. A ênfase do texto está na ligação entre assistência social e qualificação profissional para o mercado de trabalho.

O volume de famílias que depende do resultado

A diferença de estratégia chega à fase final da campanha com um programa que, segundo o próprio plano petista, já soma um milhão de moradias quitadas apenas na combinação entre Bolsa Família e BPC. Esse número dá uma medida do tamanho da base de famílias que acompanha a disputa entre manter a transferência de renda como está ou atrelá-la a novas condições de trabalho.

Enquanto a campanha de Lula associa o Bolsa Família à queda da insegurança alimentar, a de Flávio aposta na promessa de reduzir a dependência do benefício por meio de qualificação e emprego. A escolha entre as duas abordagens cabe aos eleitores no segundo turno, em 25 de outubro.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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