O governo federal começou a pagar nesta segunda-feira (19) o Bolsa Família reajustado, com piso de R$ 691, informou o Poder360. É a primeira folha com o aumento de 15,04% sobre os R$ 600 em vigor até setembro. O benefício médio passa de R$ 675 para R$ 777, uma alta nominal de cerca de R$ 100 por família.
O reajuste foi anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 17 de setembro, 17 dias antes do primeiro turno. Lula disputa agora o segundo turno com Flávio Bolsonaro (PL), e o primeiro pagamento cai a uma semana da votação.
O que o governo diz que está repondo
De acordo com o Poder360, o índice de 15,04% corresponde à reposição da inflação medida pelo INPC desde o início do programa, em 2023, até agosto de 2026. Foi com esse argumento que o Executivo tratou o aumento como correção de valores, e não como ampliação do benefício.
O governo também nega finalidade eleitoral. Segundo o Poder360, a gestão afirma que a medida não deve ser tratada como benefício voltado às eleições. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse que a discussão começou antes do período eleitoral e que havia espaço fiscal para absorver a despesa.
O Valor Econômico lembra que o último reajuste anterior, para R$ 600, foi dado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), também perto do calendário eleitoral, em 2022. O pai do adversário de Lula é, assim, o autor do piso que agora foi corrigido.
R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22 bilhões em 2027
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, calculou o custo em R$ 5,8 bilhões em 2026, a partir da folha de outubro. Para 2027, a estimativa é de cerca de R$ 22 bilhões. Como o projeto da lei orçamentária de 2027 já foi enviado ao Congresso, o Executivo precisará ajustá-lo para acomodar a despesa.
Parte do espaço fiscal viria da fila do INSS zerada, que teria gerado sobra de recursos, segundo o Poder360. Durigan afirmou que a medida não altera a despesa total do governo nem exige créditos fora do orçamento já previsto.
Quem sente o efeito primeiro
Para as famílias, a mudança aparece já na folha de outubro: R$ 91 a mais no piso e, na média, cerca de R$ 100 a mais por benefício. Para o próximo governo, o efeito é outro. Quem assumir em 2027 herda uma despesa adicional de cerca de R$ 22 bilhões em um orçamento que ainda está sendo reescrito no Congresso.



