segunda-feira, 19 de outubro de 2026 · Edição diária

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Bolsa Família de R$ 691 começa a ser pago a 6 dias do 2º turno e custará R$ 22 bi em 2027

O governo federal começou a pagar nesta segunda-feira (19) o piso reajustado de R$ 600 para R$ 691, e o benefício médio sobe de R$ 675 para R$ 777. A Fazenda calcula custo de R$ 5,8 bilhões em 2026 e cerca de R$ 22 bilhões em 2027.

Notas de real brasileiro
O reajuste de 15,04% eleva o piso do Bolsa Família para R$ 691 a partir da folha de outubro. Foto: Pexels / Sena Shot ®

O governo federal começou a pagar nesta segunda-feira (19) o Bolsa Família reajustado, com piso de R$ 691, informou o Poder360. É a primeira folha com o aumento de 15,04% sobre os R$ 600 em vigor até setembro. O benefício médio passa de R$ 675 para R$ 777, uma alta nominal de cerca de R$ 100 por família.

O reajuste foi anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 17 de setembro, 17 dias antes do primeiro turno. Lula disputa agora o segundo turno com Flávio Bolsonaro (PL), e o primeiro pagamento cai a uma semana da votação.

O que o governo diz que está repondo

De acordo com o Poder360, o índice de 15,04% corresponde à reposição da inflação medida pelo INPC desde o início do programa, em 2023, até agosto de 2026. Foi com esse argumento que o Executivo tratou o aumento como correção de valores, e não como ampliação do benefício.

O governo também nega finalidade eleitoral. Segundo o Poder360, a gestão afirma que a medida não deve ser tratada como benefício voltado às eleições. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse que a discussão começou antes do período eleitoral e que havia espaço fiscal para absorver a despesa.

O Valor Econômico lembra que o último reajuste anterior, para R$ 600, foi dado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), também perto do calendário eleitoral, em 2022. O pai do adversário de Lula é, assim, o autor do piso que agora foi corrigido.

R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22 bilhões em 2027

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, calculou o custo em R$ 5,8 bilhões em 2026, a partir da folha de outubro. Para 2027, a estimativa é de cerca de R$ 22 bilhões. Como o projeto da lei orçamentária de 2027 já foi enviado ao Congresso, o Executivo precisará ajustá-lo para acomodar a despesa.

Parte do espaço fiscal viria da fila do INSS zerada, que teria gerado sobra de recursos, segundo o Poder360. Durigan afirmou que a medida não altera a despesa total do governo nem exige créditos fora do orçamento já previsto.

Quem sente o efeito primeiro

Para as famílias, a mudança aparece já na folha de outubro: R$ 91 a mais no piso e, na média, cerca de R$ 100 a mais por benefício. Para o próximo governo, o efeito é outro. Quem assumir em 2027 herda uma despesa adicional de cerca de R$ 22 bilhões em um orçamento que ainda está sendo reescrito no Congresso.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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