terça-feira, 13 de outubro de 2026 · Edição diária

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BCG: produtividade com IA cai a partir da quarta ferramenta e erros graves sobem 39% entre os exaustos

Pesquisa da BCG com 1.488 trabalhadores americanos mostra que a produtividade percebida atinge o pico em três ferramentas de IA. Entre os que sofrem o chamado brain fry, 14% dos usuários ouvidos, os erros graves aumentam 39%.

Trabalhador de escritório cansado diante de um notebook
Estudo da BCG com a Universidade da Califórnia em Riverside ouviu 1.488 trabalhadores de grandes empresas dos Estados Unidos. Foto: Pexels / Nataliya Vaitkevich

A produtividade percebida de quem trabalha com inteligência artificial sobe até a terceira ferramenta e cai a partir da quarta, segundo estudo da Boston Consulting Group (BCG) com a Universidade da Califórnia em Riverside, detalhado pela Exame nesta terça-feira (13). A pesquisa ouviu 1.488 funcionários em tempo integral de grandes empresas dos Estados Unidos.

Os autores batizaram o efeito de "AI brain fry", algo como fritura mental por IA. De acordo com a Exame, o termo descreve a fadiga causada por usar ou supervisionar ferramentas de IA além da capacidade cognitiva da pessoa. A reportagem diferencia o quadro do burnout, que seria uma exaustão emocional crônica. O trabalho foi publicado na Harvard Business Review em março de 2026.

Os números do desgaste

Entre os usuários de IA ouvidos, 14% disseram ter vivido o problema. Os que supervisionam IA de forma intensiva relataram 14% mais esforço mental, 12% mais fadiga e 19% mais sobrecarga de informação. Os trabalhadores afetados reportaram 39% mais erros graves.

A curva de produtividade tem formato de morro. Ela cresce na passagem de uma para duas ferramentas, atinge o pico em três e recua de quatro em diante. A tensão mental, ao contrário, continua subindo a cada ferramenta adicionada.

Supervisionar cansa mais que usar

Segundo o estudo, o que pesa não é só a quantidade de ferramentas, mas o trabalho de fiscalizá-las. Cada resposta gerada precisa ser lida, conferida e, com frequência, corrigida. Alternar entre interfaces diferentes soma carga mental. Um gerente sênior de engenharia ouvido na pesquisa disse que passou a trabalhar mais para administrar as ferramentas do que para resolver o problema original.

A incidência varia por área. Foi de 26% em marketing e de 6% em jurídico, de acordo com os dados citados pela Exame.

O limite de três ferramentas e o que ainda não se sabe

Os pesquisadores recomendam usar a IA para tirar do caminho tarefas rotineiras e repetitivas, o que pode reduzir o problema. Também afirmam que as empresas devem tratar os efeitos negativos de forma proativa, sem abandonar a adoção. O ponto de equilíbrio indicado é de até três ferramentas, cada uma com função clara.

O estudo tem limites. Os dados são autodeclarados, e os autores dizem não saber se o brain fry é duradouro ou apenas uma fase de adaptação. Outra pesquisa da BCG, com quase 12 mil trabalhadores em 14 países, aponta o lado positivo: mais de 40% dos usuários regulares sem cargo de gestão disseram economizar um dia inteiro de trabalho por semana ou mais. Para quem decide compras de software, os dois levantamentos indicam que o ganho existe, mas que acumular licenças sem definir o papel de cada uma pode custar em erros.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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