O ex-candidato à Presidência Ronaldo Caiado anunciou nesta terça-feira (6), em Goiânia, apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, segundo o Poder360 e o Metrópoles. O anúncio foi feito no comitê do governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela, com Flávio e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, presentes.
Caiado terminou o primeiro turno em quinto lugar, com cerca de 2,6 milhões de votos, o equivalente a 2,18% dos válidos. O volume não decide uma eleição sozinho, mas pesa numa disputa em que cada ponto de transferência de votos conta.
O que Caiado ofereceu e o que pediu
De acordo com o Poder360, Caiado disse a Flávio que o candidato tem todo o apoio do estado de Goiás e que os 243 municípios goianos estarão com ele. Afirmou ainda que, se há alguém que quer ver Flávio devolver o Brasil aos brasileiros, essa pessoa é ele.
O Metrópoles registra que o apoio veio com uma condição política: a anistia a Jair Bolsonaro. Caiado disse que foi colega de Congresso do ex-presidente por mais de 20 anos e que, na posição que Flávio pode ocupar, assinaria a anistia. Atacou também Lula, a quem acusou de ter roubado o futuro do país no mensalão.
O gesto chama atenção pelo histórico recente. Em semanas anteriores, Caiado disse que Vorcaro comprou Lula e Flávio, e o título do blog de Malu Gaspar no O Globo sobre o anúncio lembra que ele já havia chamado o hoje aliado de ladrão. Não foi possível abrir essa matéria, e o texto dela não foi usado como fonte de fatos aqui.
Quem já está com Flávio e quem ficou de fora
Com Caiado, Flávio soma o apoio de Romeu Zema, do Novo, anunciado em 5 de outubro, e do ex-presidente Michel Temer. Zema terminou em sexto no primeiro turno, logo atrás de Caiado, segundo a ordem citada pelo Metrópoles, que põe Lula, Flávio, Augusto Cury e Renan Santos à frente do goiano.
O Poder360 informa que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que foi candidato a vice, escolheu a neutralidade. A posição é oposta à de Caiado, do mesmo partido. O Metrópoles não traz declaração de Lula nem reação de Flávio ao anúncio específico.
As duas fontes divergem sobre a colocação de Flávio e Lula no primeiro turno: o Poder360 traz percentuais de 47,03% para Flávio e 45,16% para Lula, enquanto o Metrópoles lista Lula à frente. Por isso, esta reportagem não define a ordem entre os dois e usa só os dados de Caiado, que coincidem nas duas.
O que está em jogo até 25 de outubro
O segundo turno está marcado para 25 de outubro, segundo o Poder360. Até lá, a campanha de Flávio ganha um palanque em Goiás, estado onde Caiado e Vilela têm estrutura, e um discurso de anistia mais explícito vindo de um aliado de peso médio. Para Lula, o movimento reforça a necessidade de disputar o eleitor que votou em candidatos da direita e do centro no primeiro turno, justamente o que Zema, Temer e agora Caiado tentam levar para o lado de Flávio.
O efeito real depende de quantos dos 2,6 milhões de eleitores de Caiado seguirão a orientação dele. Apoio de candidato derrotado raramente transfere votos de forma integral, e a neutralidade de Kassab mostra que o PSD segue dividido.



